
De acordo com o relatório da Chainalysis de janeiro de 2026, as carteiras relacionadas ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) receberam mais de 3 bilhões de dólares em ativos criptográficos em 2025, incluindo diversas atividades de evasão de sanções, não sendo provenientes apenas de mineração pura. Após o ataque aéreo a Teerã no final de fevereiro de 2026, o volume de saques na maior exchange de criptomoedas do Irã, a Nobitex, disparou 700% em poucas horas.
O gás natural excedente é convertido em eletricidade barata, que alimenta as mineradoras de Bitcoin, e o Bitcoin, por sua vez, é usado para contornar sanções, trocando por alimentos e peças mecânicas — essa é a cadeia de sobrevivência única do Bitcoin no Irã. No entanto, quase todas as instalações que usufruem de tarifas de energia de 0,002 dólares por kWh estão profundamente ligadas às forças armadas ou ao governo, construindo suas próprias usinas e linhas de transmissão para sustentar as operações das fazendas de mineração, enquanto a rede elétrica civil comum frequentemente sofre sobrecarga.
As estimativas oficiais indicam que cerca de 95% das atividades de mineração no país operam de forma não autorizada, com fazendas subterrâneas consumindo aproximadamente 2.000 megawatts, o que equivale à capacidade total de uma usina nuclear. Com essa capacidade, o Irã se torna o quarto ou quinto maior centro de mineração do mundo. Em 2021, o governo tentou fechar uma fazenda não autorizada, mas foi impedido por forças armadas; em 2022, o parlamento aprovou uma lei que permite a certas instituições militares construírem suas próprias usinas de energia e linhas de transmissão, consolidando ainda mais esse monopólio de poder.
A notícia de tarifas de energia baratas atraiu muitos mineradores chineses que buscavam alternativas após o endurecimento das políticas internas. Segundo relatos, um minerador veterano, conhecido como “Lao Li”, colaborou com forças locais através de intermediários, enviando por fretamento 30 mil mineradoras usadas, junto com transformadores e contêineres, para Teerã. No entanto, ele enfrentou uma série de riscos sistêmicos:
Em 2021, as autoridades iranianas confiscarem abruptamente 45.000 máquinas de mineração em todo o país. Funcionários de fazendas licenciadas afirmaram posteriormente que, entre 2019 e 2020, empresas chinesas que entraram na zona especial de livre comércio deixaram de atuar no Irã após a proibição de 2021. “Poucos mineradores chineses que operam no Irã conseguem sair ilesos.”
Horas após o ataque aéreo, o volume de saques na Nobitex disparou 700%, refletindo a dependência profunda da população iraniana por ativos criptográficos. Desde 2018, o rial iraniano perdeu mais de 90% de seu valor frente ao dólar, com uma inflação que se mantém acima de 40% por longo período; o Banco Central do Irã proibiu oficialmente transações pessoais com criptomoedas, mas o governo comprou mais de 500 milhões de dólares em USDT para fins comerciais. Segundo o CEO da ViraMiner, cerca de 18 milhões de iranianos possuem ativos criptográficos, com entre 300 e 600 exchanges digitais operando no país.
A Chainalysis aponta que as fontes de fluxo de capital podem incluir: civis transferindo fundos para carteiras frias para proteção, exchanges dispersando emergencialmente seus fundos, e grandes investidores com conexões especiais transferindo ativos para o exterior. No entanto, após o ataque, aproximadamente 99% da internet local foi desconectada, e o volume de saque disparado reduziu-se rapidamente em 80% — a vontade de escapar aumentou 700%, mas os canais disponíveis para isso restaram apenas 1%.
O Irã possui a segunda maior reserva de gás natural do mundo, mas, devido às sanções internacionais, não consegue exportar esse gás. Grande parte dele é convertida em eletricidade barata, cerca de 0,002 dólares por kWh. Quase todas as instituições que usufruem dessa tarifa estão profundamente ligadas ao IRGC ou ao governo, fazendo com que o custo de mineração local seja aproximadamente 1.300 dólares por Bitcoin, muito abaixo da média global de cerca de 90.000 dólares.
A notícia do ataque aéreo levou ao aumento de 700% nos saques na Nobitex, refletindo múltiplas necessidades: em um cenário de desvalorização do real em mais de 90% e canais de câmbio quase fechados, os ativos criptográficos tornaram-se a principal forma de armazenamento de riqueza alternativa para a população iraniana. Quando a situação se deteriora, a primeira reação é transferir fundos para carteiras frias. Contudo, a desconexão de 99% da internet impede a maioria de realizar essas transferências.
Os mineradores chineses enfrentam múltiplos riscos sistêmicos: equipamentos entrando ilegalmente sem documentação adequada, parceiros locais usando cortes de energia para pressionar por concessões, dificuldades na saída de equipamentos devido a bloqueios alfandegários, além da confiscacão em massa de máquinas em 2021. Poucos conseguem sair do mercado iraniano sem perdas significativas.