Ontem à noite fiquei acordado até às três da manhã a conversar com alguns amigos que trabalham em computação distribuída, e ficámos presos a uma questão: porque é que devemos deixar máquinas desconhecidas fazerem tarefas importantes?
De repente lembrei-me daqueles mercadores da Idade Média que faziam comércio marítimo — o comércio transoceânico dependia inteiramente de estranhos a passar a mercadoria de mão em mão, como é que tinham coragem? Daí acabaram por inventar a contabilidade por partidas dobradas e a indústria dos seguros. Agora, a economia das máquinas está presa nesse mesmo ponto. O que me chamou a atenção no projeto KITE não foi ensinar as máquinas a serem honestas, mas sim tornar o comportamento malicioso economicamente desvantajoso.
A maioria das soluções no mercado ainda está na fase bruta do “faz um staking e está feito”, mas a KITE criou um modelo de três camadas de jogo:
**Primeira camada: Máquinas contra toda a rede** Não é a lógica tradicional de penalização/confisco. Eles implementaram uma “economia de desafio” — qualquer nó pode, a baixo custo, verificar a qualidade do serviço de outros, e se apanhar alguém a agir de má fé fica com parte do staking dessa pessoa. É como um sistema imunitário: cada célula a vigiar as outras células.
**Segunda camada: Máquinas contra si próprias** O mais engenhoso é o “algoritmo de preços baseado no histórico”. Se uma máquina funcionar perfeitamente durante 100 ciclos consecutivos, ao fazer proposta para o 101.º ciclo o sistema atribui-lhe um bónus de preço. Atenção, não é uma avaliação sentimental, é um desconto quantificável baseado na fiabilidade. Estabilidade a longo prazo converte-se assim em capital de confiança mensurável matematicamente.
**Terceira camada: Máquinas contra o futuro** A precificação dinâmica não serve apenas para ajustar à procura, vai mais longe na antecipação. Vi um caso real: numa certa região ia haver um grande evento, e a rede começou a ajustar os preços do poder de computação com 12 horas de antecedência — estavam a usar modelos probabilísticos para apostar na procura futura.
Resumindo, o que a KITE está a fazer é pegar no conceito abstrato de “confiança” e dividi-lo em mecanismos verificáveis, precificáveis e sujeitos a jogos estratégicos. As máquinas não precisam de moral, só precisam de fazer bem as contas.
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ApyWhisperer
· 2025-12-13 02:03
Porra, esta estrutura de jogo de três camadas é realmente forte, é muito superior às lógicas de staking padronizadas do mercado.
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ruggedSoBadLMAO
· 2025-12-13 01:04
Caramba, tenho que analisar cuidadosamente esses três níveis de jogo, especialmente aquela trajetória histórica de precificação, sinto que finalmente encontrei o ponto de ruptura.
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FUD_Whisperer
· 2025-12-12 18:40
A teoria de jogos de três camadas parece bastante fancy, mas na verdade é apenas uma mudança de truque no mecanismo de incentivo. O sistema de staking já enjoou, desta vez virou supervisão mútua... Mas o que mais tememos é que o próprio jogo acabe se tornando um novo buraco negro.
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Rekt_Recovery
· 2025-12-12 10:43
ngl esta perspetiva de confiança como mecanismo é diferente... já fui liquidado várias vezes para saber quando alguém está realmente a resolver o problema real em vez de apenas colocar colateral e chamar-lhe resolvido. aquela comparação com o comerciante medieval, tho? chef's kiss. estamos literalmente a descobrir agora o que os bancos perceberam há 500 anos lmao
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LiquidityHunter
· 2025-12-10 02:39
Fiz alguns cálculos sobre o jogo de três camadas, e o verdadeiro espaço de arbitragem está mesmo no peso do prémio da segunda camada... O peso de fixação de preços obtido após 100 ciclos sem erros, se isto puder ser quantificado, pode ser facilmente atacado.
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LiquidationAlert
· 2025-12-10 02:38
A parte da teoria dos três níveis de jogo tem realmente algum valor, mas, no fundo, continua a ser o velho conceito de design de incentivos com uma roupagem nova. No final das contas, a confiança ainda tem de ser garantida pelo código.
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0xOverleveraged
· 2025-12-10 02:25
Epá, esta lógica de jogo em três camadas é mesmo agressiva, muito mais inteligente do que aqueles projetos que só sabem fazer staking.
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SolidityNewbie
· 2025-12-10 02:25
Fogo, este design de jogo de três camadas é mesmo agressivo, especialmente a segunda camada com aquele sistema de precificação baseado no histórico — parece mesmo que instalaram diretamente um sistema de avaliação de crédito para a máquina.
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OnchainDetectiveBing
· 2025-12-10 02:19
Porra, este jogo de três camadas é mesmo genial, muito mais lúcido do que esses projetos no mercado que só sabem fazer staking.
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rug_connoisseur
· 2025-12-10 02:14
Fogo, esta lógica de jogo em três camadas é mesmo incrível, especialmente aquele modelo de precificação baseado na trajetória histórica. Transformar confiança diretamente num modelo matemático, ninguém tinha feito isso antes.
Ontem à noite fiquei acordado até às três da manhã a conversar com alguns amigos que trabalham em computação distribuída, e ficámos presos a uma questão: porque é que devemos deixar máquinas desconhecidas fazerem tarefas importantes?
De repente lembrei-me daqueles mercadores da Idade Média que faziam comércio marítimo — o comércio transoceânico dependia inteiramente de estranhos a passar a mercadoria de mão em mão, como é que tinham coragem? Daí acabaram por inventar a contabilidade por partidas dobradas e a indústria dos seguros. Agora, a economia das máquinas está presa nesse mesmo ponto. O que me chamou a atenção no projeto KITE não foi ensinar as máquinas a serem honestas, mas sim tornar o comportamento malicioso economicamente desvantajoso.
A maioria das soluções no mercado ainda está na fase bruta do “faz um staking e está feito”, mas a KITE criou um modelo de três camadas de jogo:
**Primeira camada: Máquinas contra toda a rede**
Não é a lógica tradicional de penalização/confisco. Eles implementaram uma “economia de desafio” — qualquer nó pode, a baixo custo, verificar a qualidade do serviço de outros, e se apanhar alguém a agir de má fé fica com parte do staking dessa pessoa. É como um sistema imunitário: cada célula a vigiar as outras células.
**Segunda camada: Máquinas contra si próprias**
O mais engenhoso é o “algoritmo de preços baseado no histórico”. Se uma máquina funcionar perfeitamente durante 100 ciclos consecutivos, ao fazer proposta para o 101.º ciclo o sistema atribui-lhe um bónus de preço. Atenção, não é uma avaliação sentimental, é um desconto quantificável baseado na fiabilidade. Estabilidade a longo prazo converte-se assim em capital de confiança mensurável matematicamente.
**Terceira camada: Máquinas contra o futuro**
A precificação dinâmica não serve apenas para ajustar à procura, vai mais longe na antecipação. Vi um caso real: numa certa região ia haver um grande evento, e a rede começou a ajustar os preços do poder de computação com 12 horas de antecedência — estavam a usar modelos probabilísticos para apostar na procura futura.
Resumindo, o que a KITE está a fazer é pegar no conceito abstrato de “confiança” e dividi-lo em mecanismos verificáveis, precificáveis e sujeitos a jogos estratégicos. As máquinas não precisam de moral, só precisam de fazer bem as contas.