Web 3.0:a próxima fase de evolução da internet

Definições e Conceitos Centrais

Web 3.0 representa uma nova fase de evolução da World Wide Web. Ao contrário das duas gerações anteriores da internet, esta versão enfatiza as características de descentralização das aplicações e serviços, adotando amplamente arquiteturas tecnológicas baseadas em blockchain. O Web 3.0 ainda está em desenvolvimento, sem uma definição padrão universal, e até na forma de expressão há variações, como “Web3” e “Web 3.0”.

O núcleo deste conceito reside na fusão de três elementos-chave: primeiro, uma arquitetura de aplicações e serviços descentralizada; segundo, a aplicação profunda de machine learning e inteligência artificial, tornando a rede mais adaptável; terceiro, o suporte fundamental da tecnologia blockchain, garantindo transparência e segurança dos dados.

Da História da Internet à Necessidade do Web 3.0

Transição da Primeira para a Segunda Geração

Em 1989, o cientista da computação britânico Tim Berners-Lee criou a web, estabelecendo infraestruturas básicas como a linguagem de marcação HTML e o protocolo de transmissão HTTP. Embora tenha também concebido o conceito de “Web Semântica”, sua implementação foi limitada pelas condições de hardware da época.

A primeira geração da web (Web 1.0) permaneceu por muito tempo em um estágio relativamente estático, até que, em 1993, o lançamento do navegador Mosaic iniciou o processo de massificação. Seguiram-se motores de busca como Yahoo e Lycos, que dominaram o mercado até que o Google, por volta de 2004, o superou.

Na transição do milênio, a indústria começou a imaginar uma experiência de rede mais interativa, dando origem ao Web 2.0. Este enfatizava o conteúdo gerado pelos usuários e a interação social, como evidenciado pelo crescimento de plataformas como Facebook e Twitter. Paralelamente, a World Wide Web Consortium lançou padrões para a Web Semântica.

Consolidação das Bases Tecnológicas

Paralelamente, surgiram duas tecnologias revolucionárias — criptomoedas e blockchain. Pioneiros como Gavin Wood, cofundador do Ethereum, começaram a promover os termos Web 3.0 e Web3, delineando uma visão de rede que fosse tanto descentralizada quanto cognitivamente semântica.

Características Chave do Web 3.0

Arquitetura Central

Descentralização constitui a estrutura fundamental do Web 3.0. Em contraste com a governança centralizada das duas gerações anteriores, o Web 3.0 entrega aplicações e serviços através de redes distribuídas, eliminando a dependência de uma autoridade única.

Base em blockchain é essencial para alcançar a descentralização. Utilizando redes ponto-a-ponto amplamente distribuídas, o blockchain gerencia e valida dados, criando um livro-razão imutável teoricamente à prova de adulteração, e estabelecendo confiança entre os participantes.

Criptomoedas têm potencial para substituir significativamente as moedas fiduciárias emitidas por governos. As transações financeiras do Web 3.0 ocorrerão em blockchains descentralizados, contornando instituições financeiras tradicionais.

Organização semântica classifica e armazena informações de forma lógica, ajudando sistemas de IA a compreenderem o significado dos dados. Sites poderão entender consultas de pesquisa como humanos, gerando e compartilhando conteúdo de forma mais precisa.

Autonomia e inteligência serão alcançadas por automação extensiva, principalmente impulsionada por IA. Sites equipados com IA poderão filtrar e fornecer dados específicos para cada usuário com alta precisão.

Inovação nos Mecanismos de Funcionamento

No Web 3.0, o HTML continua sendo fundamental, mas a forma de conectar fontes de dados e seus locais de armazenamento sofrerá mudanças significativas. A maioria das aplicações Web 2.0 depende de bancos de dados centralizados, enquanto o Web 3.0 utiliza blockchain descentralizado, sem qualquer autoridade central.

Este método de criação e confirmação de informações de forma democrática, em teoria, dará aos usuários maior controle sobre a rede e o uso de seus dados pessoais.

No Web 3.0, IA e machine learning terão papéis ainda mais importantes, entregando conteúdo relevante a cada usuário, ao invés de apenas compartilhar o que outros escolheram. A Web Semântica organizará os dados de forma mais lógica, facilitando a compreensão de seu significado por parte da IA.

Organizações autônomas descentralizadas (DAO) podem revolucionar a gestão da rede, transferindo o controle de autoridades centrais para comunidades digitais autogeridas.

Como o Web 3.0 depende fundamentalmente de criptomoedas ao invés de moedas governamentais, as transações financeiras ocorrerão em blockchains descentralizados, não mais através de instituições financeiras tradicionais.

Na camada de infraestrutura, Web 1.0 e Web 2.0 basearam-se principalmente no espaço de endereçamento IPv4. Com o crescimento explosivo da internet ao longo de décadas, o Web 3.0 requer um grande número de endereços IP, o que é possibilitado pelo IPv6.

Ecossistema de Aplicações Diversificado

Tecnologias principais

Tokens não fungíveis (NFTs) são ativos criptográficos únicos, usados para criar e autenticar a propriedade de ativos digitais. Os NFTs tornar-se-ão uma forma importante de criar e trocar bens de valor no Web 3.0.

Finanças descentralizadas (DeFi) representam uma tecnologia emergente de blockchain, que pode constituir a base dos serviços financeiros descentralizados do Web 3.0.

Criptomoedas como Bitcoin são moedas digitais baseadas em blockchain, protegidas por criptografia, que controlam a geração, a transferência e a validação de propriedade. Seus apoiadores acreditam que as criptomoedas serão a moeda do Web 3.0.

Aplicações descentralizadas (dApps) são aplicações de código aberto construídas sobre blockchains descentralizados. Podem ser complementadas por terceiros, com alterações registradas no livro-razão distribuído do blockchain. Desde middleware até doações e plataformas de redes sociais, já existem milhares de dApps.

Contratos inteligentes são uma classe de dApps, considerados a base de novas aplicações blockchain, e devem desempenhar papel central no Web 3.0. Executam lógica de negócios em resposta a eventos, sendo códigos de programa, não contratos legais (cuja validade jurídica ainda não está definida na maioria das jurisdições), mas que respondem melhor às condições variáveis. Como mecanismo do Web 3.0, permitirão que usuários e aplicações blockchain interajam de forma confiável.

Pontes entre cadeias (Cross-chain bridges) conectam diversas blockchains, possibilitando algum grau de interoperabilidade.

Organizações autônomas fornecem a estrutura e governança necessárias para os serviços descentralizados do Web 3.0.

Análise de Potenciais Vantagens

O Web 3.0 promete oferecer múltiplos benefícios aos usuários:

Controle de dados e privacidade reforçados: devolve aos usuários o controle sobre sua identidade e dados online, que atualmente estão sob domínio de provedores centralizados.

Transparência nas transações: aumenta a visibilidade de operações e decisões.

Resiliência do sistema: aplicações entregues por redes descentralizadas resistem melhor a falhas pontuais.

Previsões inteligentes e personalização: previsões e customizações impulsionadas por IA e machine learning tornarão a rede mais responsiva às necessidades dos usuários.

Capacidades financeiras descentralizadas: possibilitam transações, compra e venda de produtos e serviços, obtenção de empréstimos, tudo sem necessidade de intermediários.

Esses conteúdos altamente personalizados e modelos de negócio podem ajudar as empresas a se aproximarem melhor dos consumidores.

Desafios a Enfrentar

O Web 3.0 também apresenta sérios riscos potenciais, que líderes empresariais devem compreender:

Complexidade tecnológica: redes descentralizadas e contratos inteligentes representam uma curva de aprendizado e gestão desafiadora tanto para equipes de TI quanto para usuários comuns.

Riscos de segurança: a complexidade dessas tecnologias torna a segurança do Web 3.0 um verdadeiro desafio. Contratos inteligentes já sofreram ataques de hackers, e incidentes de segurança em exchanges de blockchain e criptomoedas são frequentes.

Incerteza regulatória: a ausência de uma autoridade central significa que os quadros regulatórios que ajudam a manter a segurança de negócios online e outras atividades na rede podem não existir ou estar desatualizados.

Recursos intensivos: blockchain e dApps frequentemente demandam muitos recursos, exigindo hardware caro, além de custos ambientais e econômicos relacionados ao consumo de energia.

A escolha de tecnologias também pode ser problemática, com o aumento de ferramentas de blockchain, criptomoedas, NFTs e contratos inteligentes. Como alternativa, existe a tecnologia descentralizada de dados Solid, proposta pelo próprio inventor da web, Berners-Lee. Ele considera blockchain lento, caro e excessivamente transparente, inadequado para armazenamento de informações pessoais, e fundou a Inrupt para promover a comercialização do Solid.

Cronograma e Estado Atual

Muitos aspectos do Web 3.0 já estão em fase de implementação, com blockchain e suas aplicações se tornando cada vez mais presentes. No entanto, a transição do Web 1.0 para o Web 2.0 levou mais de uma década, e a maioria dos analistas espera que a implantação completa e a reformulação da web para o Web 3.0 levem um tempo semelhante ou até maior.

Algumas tendências do Web 3.0, já visíveis na visão de especialistas há anos, começam a mostrar resultados. A tokenização de ativos já está em andamento. A Gartner prevê que até 2024, 25% das empresas terão aplicações descentralizadas, embora integradas a aplicações centralizadas. Fundos negociados em bolsa (ETFs) que agrupam ações de empresas de Web 3.0 também já existem. ETFs e fundos de investimento em criptomoedas estão disponíveis. Ainda não é recomendável investir diretamente em empresas mais maduras como Google e Meta, pois seus esforços em Web 3.0 representam apenas uma pequena parte de seus negócios, mas isso pode mudar rapidamente.

Tendências e Perspectivas Atuais

O armazenamento distribuído em blockchain ainda tem espaço no cenário após o entusiasmo pelo conceito de Web 3.0. Fornecedores de armazenamento distribuído continuam promovendo essa tecnologia para empresas, embora com cautela após o ciclo de hype.

O futuro da internet: será descentralizado e também Web 3.0? Conhecido como Web Semântica, é uma versão da internet onde máquinas podem ler e compreender informações como humanos.

Pesquisas indicam que ninguém realmente sabe o que é Web3. A maioria das pessoas não consegue enxergar o que a Web3 promete para uma nova internet descentralizada, nem conhece bem o termo.

Impulsionando a Web3: soluções multi-cadeia e L2. Web3 é a visão de uma nova internet descentralizada. Embora seja melhor que Web2, enfrenta desafios em escalabilidade, interoperabilidade, desenvolvimento e acessibilidade.

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