A desinformação torna-se viral por uma razão simples: foi criada para ganhar, não para ser verdadeira.
A verdade costuma ser lenta. Precisa de contexto, nuances, tempo. Às vezes até precisa admitir “não sei”. Em contrapartida, a desinformação é rápida: oferece uma história completa em 10 segundos, com um vilão claro, um culpado óbvio e uma conclusão emocional. Não convida a pensar, convida a reagir.
E as plataformas recompensam a reação.
Compartilhamos o que nos faz sentir algo: raiva, medo, superioridade, esperança imediata. A desinformação entende isso melhor do que ninguém. Um dado real raramente te atinge no peito; uma mentira bem contada sim. Por isso ela se espalha mais: porque viaja em emoções fortes, e emoções fortes são combustível algorítmico.
Existem também incentivos.
Mentir é barato e rentável. Não precisas verificar, não precisas de fontes, não precisas carregar com a complexidade. Só precisas de um título que ative impulsos. Se acertas no botão emocional, ganhas alcance. E com alcance vêm seguidores, reputação falsa, dinheiro, vendas, afiliados, cursos, poder. A correção, por outro lado, quase nunca é compartilhada. A retificação não dá dopamina.
Por isso, no final, é mais rentável publicar porcaria do que mel.
Porque o mel requer trabalho: paciência, coerência, e sustentar-se ao longo do tempo. A porcaria é instantânea, abundante e não tem custo. Além disso, o mercado de atenção é brutal: quando tudo compete por segundos, o escandaloso vence o razoável.
A saída não é “parar de usar redes”. A saída é mudar o incentivo na tua própria cabeça.
Antes de compartilhar, pergunta-te: isto informa, ou só me excita. isto é verdade, ou só encaixa com o que já acreditava. isto melhora o mundo, ou só piora a conversa. Porque o algoritmo não tem valores. Ele só reflete os nossos.
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A desinformação torna-se viral por uma razão simples: foi criada para ganhar, não para ser verdadeira.
A verdade costuma ser lenta. Precisa de contexto, nuances, tempo. Às vezes até precisa admitir “não sei”. Em contrapartida, a desinformação é rápida: oferece uma história completa em 10 segundos, com um vilão claro, um culpado óbvio e uma conclusão emocional. Não convida a pensar, convida a reagir.
E as plataformas recompensam a reação.
Compartilhamos o que nos faz sentir algo: raiva, medo, superioridade, esperança imediata. A desinformação entende isso melhor do que ninguém. Um dado real raramente te atinge no peito; uma mentira bem contada sim. Por isso ela se espalha mais: porque viaja em emoções fortes, e emoções fortes são combustível algorítmico.
Existem também incentivos.
Mentir é barato e rentável. Não precisas verificar, não precisas de fontes, não precisas carregar com a complexidade. Só precisas de um título que ative impulsos. Se acertas no botão emocional, ganhas alcance. E com alcance vêm seguidores, reputação falsa, dinheiro, vendas, afiliados, cursos, poder. A correção, por outro lado, quase nunca é compartilhada. A retificação não dá dopamina.
Por isso, no final, é mais rentável publicar porcaria do que mel.
Porque o mel requer trabalho: paciência, coerência, e sustentar-se ao longo do tempo. A porcaria é instantânea, abundante e não tem custo. Além disso, o mercado de atenção é brutal: quando tudo compete por segundos, o escandaloso vence o razoável.
A saída não é “parar de usar redes”. A saída é mudar o incentivo na tua própria cabeça.
Antes de compartilhar, pergunta-te:
isto informa, ou só me excita.
isto é verdade, ou só encaixa com o que já acreditava.
isto melhora o mundo, ou só piora a conversa.
Porque o algoritmo não tem valores. Ele só reflete os nossos.