Bitcoin da Venezuela pode ser um dos maiores alvos dos EUA junto ao petróleo

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Source: PortaldoBitcoin Original Title: Bitcoin da Venezuela pode ser um dos maiores alvos dos EUA junto ao petróleo Original Link: Após a operação dos Estados Unidos que resultou na captura do líder da Venezuela, Nicolás Maduro, um clima de tensão e indefinição não só sobre o futuro do país latino, mas também sobre seus recursos, tomou conta do mundo.

Ainda durante o fim de semana, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA irão controlar o petróleo venezuelano, reacendendo o debate sobre ativos estratégicos do país. Mas o que se tem falado pouco na mídia, mas vem ganhando força na internet, é o futuro do estoque de criptomoedas da Venezuela, uma das maiores detentoras de Bitcoin do mundo.

Ganha força a tese de uma “reserva sombra” de Bitcoin e Tether construída pelo regime de Maduro ao longo dos últimos anos. Números abertos apontam que a Venezuela teria apenas 240 BTC, avaliados em cerca de US$ 22 milhões. Mas esse número pode ser bem maior.

De acordo com relatórios de inteligência citados pelos pesquisadores Bradley Hope e Clara Preve, desde 2018 a Venezuela teria acumulado criptoativos por meio de trocas de ouro, exigindo liquidação de exportações de petróleo em Tether (USDT) para contornar sanções, e posteriormente convertendo parte desse fluxo em Bitcoin por reconhecer que stablecoins podem ser congeladas por emissores.

A estimativa agrega três vetores principais: conversões de ouro entre 2018 e 2020, receitas cripto associadas ao comércio de petróleo após o fracasso da petro e apreensões ligadas à mineração doméstica. O resultado, segundo os relatórios, seria um estoque implícito entre US$ 56 bilhões e US$ 67 bilhões, algo como 600 mil a 660 mil bitcoins, patamar comparável ao de grandes tesourarias corporativas globais.

A presença das criptomoedas na economia venezuelana não é recente. Há anos, o país recorre a ativos digitais como alternativa para contornar sanções internacionais, colapso cambial e disfunções bancárias. Em 2018, o governo Maduro lançou a petro, uma criptomoeda estatal supostamente lastreada em petróleo e minerais, numa tentativa de contornar sanções e captar recursos externos. O projeto fracassou, não ganhou tração internacional e acabou descontinuado.

Ainda assim, o vácuo financeiro abriu espaço para o uso disseminado de stablecoins como substituto informal do dólar em transações cotidianas, beneficiando famílias e empresas ao mesmo tempo em que levantou alertas sobre o uso desses trilhos financeiros por agentes ligados ao Estado para driblar restrições e redirecionar pagamentos de comércio e energia.

Especialistas em inteligência blockchain descrevem esse papel ambíguo com clareza. Para Ari Redbord, chefe global de políticas da TRM Labs, criptoativos e stablecoins funcionam como infraestrutura essencial para civis em uma economia frágil, mas também como canal alternativo de liquidação quando sanções bloqueiam o acesso ao sistema financeiro formal. A ausência de menções explícitas a criptomoedas em acusações criminais contra autoridades venezuelanas não significa irrelevância do tema, mas sim o foco em narcotráfico, corrupção e violência.

EUA irão pegar o Bitcoin da Venezuela?

A hipótese de que uma parcela relevante desse estoque possa cair sob controle dos EUA adiciona uma camada inédita ao debate. Em cenários ventilados por analistas, investigadores poderiam oferecer acordos, redução de penas ou proteção a familiares em troca da entrega de chaves privadas. Mesmo assim, o caminho não seria imediato. O desfecho mais provável passa por longas disputas judiciais, com os ativos classificados como bens congelados, sob custódia do Tesouro americano, sem possibilidade de movimentação por anos.

Do ponto de vista de mercado, a consequência seria paradoxal. A curto prazo, a incerteza tende a elevar a volatilidade. Mas, ao retirar de circulação cerca de 3% do suprimento disponível de Bitcoin, um congelamento prolongado funcionaria como um “lock-up” forçado, reduzindo a oferta líquida e alimentando narrativas altistas.

Há quem veja também a possibilidade de uma virada estratégica, na qual Washington optaria por manter os ativos como reserva permanente, alinhando-se a discursos recentes favoráveis a reservas soberanas de Bitcoin. A alternativa de uma liquidação rápida é considerada remota no atual ambiente político.

Enquanto os holofotes se concentram no petróleo, o “elefante na sala” pode ser digital. Se confirmadas as estimativas, a Venezuela não apenas figura entre os maiores detentores de Bitcoin do mundo, como coloca as criptomoedas no centro de uma disputa geopolítica com efeitos diretos sobre oferta, demanda e preços globais.

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