A mudança de política do Federal Reserve leva a uma diminuição das expectativas, enquanto o mercado testa a luta entre os metais preciosos e as posições de compra e venda
Quando o mercado concentra o seu olhar no futuro do Federal Reserve, os dados mais recentes da CME alertaram para uma possível mudança de cenário. Segundo a ferramenta FedWatch, até 15 de dezembro, os traders preveem que a probabilidade de o Federal Reserve cortar taxas até 28 de janeiro de 2026 é de apenas 24,4%, enquanto a probabilidade de manter as taxas inalteradas é de 75,6%. Esses dados refletem que, apesar das expectativas de política monetária acomodatícia a longo prazo ainda persistirem, o mercado não espera uma mudança significativa na política de curto prazo. Essa desaceleração nas expectativas de política está impactando profundamente o ritmo geral do mercado de metais preciosos.
Sinais de paz geopolítica e o declínio da demanda por proteção contra riscos
O desempenho do ouro em 15 de dezembro exemplificou bem essa mudança. Os futuros de ouro, que chegaram a subir 1% na abertura, fecharam com uma alta marginal de 0,2%, com o contrato de fevereiro na COMEX fechando a US$ 4.335,2 por onça, uma redução de quase cinco vezes na sua alta. O ouro à vista também foi cotado a apenas US$ 4.305 por onça.
O principal fator por trás dessa mudança veio de sinais positivos nas negociações do conflito Rússia-Ucrânia. O enviado especial dos EUA, Steve Wittekoff, afirmou que houve “muitos avanços” nas negociações com a Ucrânia, e o chefe da delegação ucraniana, Umerov, confirmou em 15 de dezembro que as negociações entre Ucrânia e EUA nas últimas duas dias foram “construtivas e eficazes”, alcançando “avanços concretos”. Essas declarações de ambas as partes reduziram a apetite por proteção no mercado. Analistas experientes apontam que o progresso nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia parece estar começando a diminuir o apelo do ouro como ativo de refúgio tradicional.
Expectativa de traders diante da janela de divulgação de dados econômicos
Além das mudanças na geopolítica, os dados econômicos dos EUA, que serão divulgados nesta semana, colocam os traders em uma posição de espera e indecisão. Diversos dados importantes, adiados devido ao fechamento do governo dos EUA, serão publicados nesta semana.
Na terça-feira (16 de dezembro), o mercado receberá simultaneamente o relatório de emprego não agrícola de novembro e os dados de vendas no varejo de outubro. Segundo as previsões, o aumento de empregos não agrícolas em novembro deve ser de apenas 50 mil, uma queda significativa em relação às 119 mil de setembro. Esses números contrastantes podem influenciar as expectativas do mercado sobre a força da economia.
Na quinta-feira (18), será divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI) de novembro. Como esses dados impactam diretamente a política do Federal Reserve, os participantes do mercado tendem a reduzir apostas de direção até que os resultados sejam claros, entrando em modo de observação.
Divergência no mercado de metais preciosos
Enquanto o ouro mostra uma desaceleração na alta, o mercado de metais preciosos apresenta um quadro bastante diferente. Prata, platina e paládio tiveram desempenhos destacados, formando movimentos independentes.
Em 15 de dezembro, os futuros de prata na COMEX para março subiram 2,6%, para US$ 63,589 por onça; os futuros de platina na NYMEX para janeiro avançaram 3,0%, para US$ 1.815,9 por onça; e os futuros de paládio na NYMEX para março dispararam 5,2%, para US$ 1.623,1 por onça. Essa diferenciação evidencia a complexidade atual do mercado: enquanto o ouro, por sua função de proteção financeira, é temporariamente contido pelo otimismo de paz, outros metais preciosos com uso industrial podem ser sustentados por fatores fundamentais diferentes, como expectativas de demanda industrial ou questões de oferta.
Segmentação no mercado de metais básicos
O setor de metais básicos também não escapou da diferenciação. O preço do cobre foi impulsionado pela depreciação do dólar, que caiu 0,15% na sexta-feira, para 98,25 pontos no índice ICE DXY. Com isso, o cobre de três meses na LME subiu 1,16%, para US$ 11.686 por tonelada, e o cobre de março na COMEX também avançou 1%, para US$ 5,4120 por libra.
Por outro lado, outros metais básicos tiveram desempenho negativo. Os preços futuros de alumínio permaneceram estáveis, enquanto o chumbo, zinco e níquel registraram quedas de diferentes magnitudes, sendo o níquel a maior, com uma queda de 2,22%.
Perspectivas de análise de mercado multidimensionais
Jim Sturgess e outros analistas de mercado afirmam que os mercados de metais preciosos e básicos estão atualmente em um ponto de equilíbrio delicado. Com a divulgação de dados econômicos essenciais dos EUA e sinais adicionais de negociações geopolíticas, esse equilíbrio deve ser rompido, levando a uma nova rodada de definição de direção e reprecificação. Os traders precisam acompanhar de perto esse jogo de forças — o arrefecimento das expectativas de política e a redução do risco geopolítico — para entender como esses fatores irão reconfigurar o valor relativo de ativos de risco e de proteção.
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A mudança de política do Federal Reserve leva a uma diminuição das expectativas, enquanto o mercado testa a luta entre os metais preciosos e as posições de compra e venda
Quando o mercado concentra o seu olhar no futuro do Federal Reserve, os dados mais recentes da CME alertaram para uma possível mudança de cenário. Segundo a ferramenta FedWatch, até 15 de dezembro, os traders preveem que a probabilidade de o Federal Reserve cortar taxas até 28 de janeiro de 2026 é de apenas 24,4%, enquanto a probabilidade de manter as taxas inalteradas é de 75,6%. Esses dados refletem que, apesar das expectativas de política monetária acomodatícia a longo prazo ainda persistirem, o mercado não espera uma mudança significativa na política de curto prazo. Essa desaceleração nas expectativas de política está impactando profundamente o ritmo geral do mercado de metais preciosos.
Sinais de paz geopolítica e o declínio da demanda por proteção contra riscos
O desempenho do ouro em 15 de dezembro exemplificou bem essa mudança. Os futuros de ouro, que chegaram a subir 1% na abertura, fecharam com uma alta marginal de 0,2%, com o contrato de fevereiro na COMEX fechando a US$ 4.335,2 por onça, uma redução de quase cinco vezes na sua alta. O ouro à vista também foi cotado a apenas US$ 4.305 por onça.
O principal fator por trás dessa mudança veio de sinais positivos nas negociações do conflito Rússia-Ucrânia. O enviado especial dos EUA, Steve Wittekoff, afirmou que houve “muitos avanços” nas negociações com a Ucrânia, e o chefe da delegação ucraniana, Umerov, confirmou em 15 de dezembro que as negociações entre Ucrânia e EUA nas últimas duas dias foram “construtivas e eficazes”, alcançando “avanços concretos”. Essas declarações de ambas as partes reduziram a apetite por proteção no mercado. Analistas experientes apontam que o progresso nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia parece estar começando a diminuir o apelo do ouro como ativo de refúgio tradicional.
Expectativa de traders diante da janela de divulgação de dados econômicos
Além das mudanças na geopolítica, os dados econômicos dos EUA, que serão divulgados nesta semana, colocam os traders em uma posição de espera e indecisão. Diversos dados importantes, adiados devido ao fechamento do governo dos EUA, serão publicados nesta semana.
Na terça-feira (16 de dezembro), o mercado receberá simultaneamente o relatório de emprego não agrícola de novembro e os dados de vendas no varejo de outubro. Segundo as previsões, o aumento de empregos não agrícolas em novembro deve ser de apenas 50 mil, uma queda significativa em relação às 119 mil de setembro. Esses números contrastantes podem influenciar as expectativas do mercado sobre a força da economia.
Na quinta-feira (18), será divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI) de novembro. Como esses dados impactam diretamente a política do Federal Reserve, os participantes do mercado tendem a reduzir apostas de direção até que os resultados sejam claros, entrando em modo de observação.
Divergência no mercado de metais preciosos
Enquanto o ouro mostra uma desaceleração na alta, o mercado de metais preciosos apresenta um quadro bastante diferente. Prata, platina e paládio tiveram desempenhos destacados, formando movimentos independentes.
Em 15 de dezembro, os futuros de prata na COMEX para março subiram 2,6%, para US$ 63,589 por onça; os futuros de platina na NYMEX para janeiro avançaram 3,0%, para US$ 1.815,9 por onça; e os futuros de paládio na NYMEX para março dispararam 5,2%, para US$ 1.623,1 por onça. Essa diferenciação evidencia a complexidade atual do mercado: enquanto o ouro, por sua função de proteção financeira, é temporariamente contido pelo otimismo de paz, outros metais preciosos com uso industrial podem ser sustentados por fatores fundamentais diferentes, como expectativas de demanda industrial ou questões de oferta.
Segmentação no mercado de metais básicos
O setor de metais básicos também não escapou da diferenciação. O preço do cobre foi impulsionado pela depreciação do dólar, que caiu 0,15% na sexta-feira, para 98,25 pontos no índice ICE DXY. Com isso, o cobre de três meses na LME subiu 1,16%, para US$ 11.686 por tonelada, e o cobre de março na COMEX também avançou 1%, para US$ 5,4120 por libra.
Por outro lado, outros metais básicos tiveram desempenho negativo. Os preços futuros de alumínio permaneceram estáveis, enquanto o chumbo, zinco e níquel registraram quedas de diferentes magnitudes, sendo o níquel a maior, com uma queda de 2,22%.
Perspectivas de análise de mercado multidimensionais
Jim Sturgess e outros analistas de mercado afirmam que os mercados de metais preciosos e básicos estão atualmente em um ponto de equilíbrio delicado. Com a divulgação de dados econômicos essenciais dos EUA e sinais adicionais de negociações geopolíticas, esse equilíbrio deve ser rompido, levando a uma nova rodada de definição de direção e reprecificação. Os traders precisam acompanhar de perto esse jogo de forças — o arrefecimento das expectativas de política e a redução do risco geopolítico — para entender como esses fatores irão reconfigurar o valor relativo de ativos de risco e de proteção.