A Europa está a acelerar a sua jornada em direção a uma moeda digital de banco central, e as instituições financeiras italianas estão determinadas a moldar o resultado. Em vez de aceitar integralmente o projeto do Banco Central Europeu, o setor bancário italiano defende uma abordagem mais subtil — uma que distribua de forma justa os encargos de implementação por todo o ecossistema financeiro.
O Caso da Itália para Compartilhamento de Custos e uma Via Paralela
Durante declarações recentes, Marco Elio Rottigni, diretor-geral da Associação Bancária Italiana (ABI), enquadrou a iniciativa de moeda digital como essencial para a soberania digital da Europa. No entanto, contrapôs-se a uma suposição crucial: que os bancos comerciais deveriam suportar o principal encargo financeiro do desenvolvimento da infraestrutura.
“Isto representa uma mudança fundamental na forma como a Europa gere o seu dinheiro”, explicou Rottigni, “mas o investimento necessário exige um modelo de responsabilidade partilhada, em vez de transferir custos para as instituições individuais.”
A posição da ABI reflete uma preocupação pragmática — estabelecer os sistemas técnicos necessários para suportar um euro digital exigirá um investimento de capital substancial. A Itália propõe que esses custos sejam escalonados ao longo do tempo, permitindo que os bancos se adaptem gradualmente, em vez de enfrentarem um choque financeiro súbito quando o sistema entrar em funcionamento.
Uma Visão de Dois Níveis: Moedas Digitais Emitidas pelo BCE e pelos Bancos Comerciais
Mais provocador, a Itália defende o que chama uma arquitetura de sistema duplo. Sob este modelo, o BCE emitiria uma versão de moeda digital enquanto os bancos comerciais lançariam simultaneamente os seus próprios produtos de dinheiro digital. Esta abordagem paralela poderia acelerar a adoção e permitir que as instituições financeiras privadas mantenham vantagens competitivas no espaço digital.
Rottigni apontou os Estados Unidos como prova de que este modelo funciona. Washington já aprovou a lei GENIUS para estabelecer limites à regulamentação de stablecoins, demonstrando que outras grandes economias estão a modernizar rapidamente a sua infraestrutura financeira. A Europa arrisca ficar para trás se avançar demasiado cautelosamente, sugere a ABI.
Linha do Tempo: Piloto em 2027, Lançamento Completo em 2029
O roteiro de implementação está a tornar-se mais claro. Após negociações recentes entre ministros das finanças da UE, a presidente do BCE Christine Lagarde e o Comissário Europeu Valdis Dombrovskis, surgiu um caminho. Os Estados-membros manterão o controlo sobre decisões-chave: se a moeda digital será lançada ou não, e quais os limites que os indivíduos terão nas suas holdings — uma salvaguarda desenhada para evitar uma fuga súbita de capitais do sistema bancário tradicional.
Se os legisladores da UE aprovarem a legislação habilitante em 2026, o primeiro teste operacional poderá começar em 2027. Com resultados bem-sucedidos, o lançamento completo seguir-se-á em 2029, tornando a zona euro uma das primeiras do mundo a adotar uma moeda digital de banco central de acesso público.
Hesitação no Norte e Resistência Conservadora
Nem toda a Europa partilha do entusiasmo da Itália. Instituições bancárias alemãs já alertaram que um euro digital poderia erodir as suas bases de depósitos e confundir distinções essenciais entre o dinheiro do banco central e os serviços bancários comerciais. Esta preocupação reflete um medo mais amplo: que os cidadãos possam rapidamente transferir poupanças dos bancos tradicionais para contas digitais apoiadas pelo BCE durante períodos de crise financeira.
Legisladores conservadores também têm manifestado resistência. Fernando Navarrete, um eurodeputado do bloco conservador, defendeu uma versão simplificada do euro digital — limitada a transações de retalho offline e explicitamente proibida de perturbar os mecanismos de liquidação interbancária existentes. A sua posição reflete ceticismo quanto à ideia de que uma reformulação radical do sistema financeiro europeu serve melhor os cidadãos do que reformas incrementais na infraestrutura atual.
O Desafio Estratégico Mais Amplo
O debate sobre a moeda digital revela, em última análise, a situação difícil da Europa: como inovar e manter a competitividade global sem sacrificar os mecanismos de estabilidade que sustentaram a confiança financeira durante décadas.
O BCE vê o euro digital como uma ferramenta fundamental para fortalecer a independência monetária europeia e simplificar as transações transfronteiriças num mundo cada vez mais digital. No entanto, as instituições bancárias preocupam-se com consequências não intencionais — possíveis corridas aos depósitos, instabilidade sistémica ou perda do seu papel na criação de dinheiro.
A posição da Itália representa uma tentativa de conciliar estas tensões. Ao defender um sistema duplo com distribuição gradual de custos, o país propõe que a Europa não precise de escolher entre modernização e estabilidade. Em vez disso, ambos podem coexistir se a transição for gerida com cuidado e as responsabilidades forem partilhadas de forma adequada.
Com uma decisão legislativa prevista para 2026 e 2029 como data potencial de entrada em funcionamento, a estrutura financeira da Europa enfrenta um momento crítico. O debate sobre a moeda digital determinará, em última análise, se o continente molda o futuro do dinheiro — ou se será moldado por ele.
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Empurrão da Europa para a Moeda Digital: Itália Traça o Seu Próprio Caminho
A Europa está a acelerar a sua jornada em direção a uma moeda digital de banco central, e as instituições financeiras italianas estão determinadas a moldar o resultado. Em vez de aceitar integralmente o projeto do Banco Central Europeu, o setor bancário italiano defende uma abordagem mais subtil — uma que distribua de forma justa os encargos de implementação por todo o ecossistema financeiro.
O Caso da Itália para Compartilhamento de Custos e uma Via Paralela
Durante declarações recentes, Marco Elio Rottigni, diretor-geral da Associação Bancária Italiana (ABI), enquadrou a iniciativa de moeda digital como essencial para a soberania digital da Europa. No entanto, contrapôs-se a uma suposição crucial: que os bancos comerciais deveriam suportar o principal encargo financeiro do desenvolvimento da infraestrutura.
“Isto representa uma mudança fundamental na forma como a Europa gere o seu dinheiro”, explicou Rottigni, “mas o investimento necessário exige um modelo de responsabilidade partilhada, em vez de transferir custos para as instituições individuais.”
A posição da ABI reflete uma preocupação pragmática — estabelecer os sistemas técnicos necessários para suportar um euro digital exigirá um investimento de capital substancial. A Itália propõe que esses custos sejam escalonados ao longo do tempo, permitindo que os bancos se adaptem gradualmente, em vez de enfrentarem um choque financeiro súbito quando o sistema entrar em funcionamento.
Uma Visão de Dois Níveis: Moedas Digitais Emitidas pelo BCE e pelos Bancos Comerciais
Mais provocador, a Itália defende o que chama uma arquitetura de sistema duplo. Sob este modelo, o BCE emitiria uma versão de moeda digital enquanto os bancos comerciais lançariam simultaneamente os seus próprios produtos de dinheiro digital. Esta abordagem paralela poderia acelerar a adoção e permitir que as instituições financeiras privadas mantenham vantagens competitivas no espaço digital.
Rottigni apontou os Estados Unidos como prova de que este modelo funciona. Washington já aprovou a lei GENIUS para estabelecer limites à regulamentação de stablecoins, demonstrando que outras grandes economias estão a modernizar rapidamente a sua infraestrutura financeira. A Europa arrisca ficar para trás se avançar demasiado cautelosamente, sugere a ABI.
Linha do Tempo: Piloto em 2027, Lançamento Completo em 2029
O roteiro de implementação está a tornar-se mais claro. Após negociações recentes entre ministros das finanças da UE, a presidente do BCE Christine Lagarde e o Comissário Europeu Valdis Dombrovskis, surgiu um caminho. Os Estados-membros manterão o controlo sobre decisões-chave: se a moeda digital será lançada ou não, e quais os limites que os indivíduos terão nas suas holdings — uma salvaguarda desenhada para evitar uma fuga súbita de capitais do sistema bancário tradicional.
Se os legisladores da UE aprovarem a legislação habilitante em 2026, o primeiro teste operacional poderá começar em 2027. Com resultados bem-sucedidos, o lançamento completo seguir-se-á em 2029, tornando a zona euro uma das primeiras do mundo a adotar uma moeda digital de banco central de acesso público.
Hesitação no Norte e Resistência Conservadora
Nem toda a Europa partilha do entusiasmo da Itália. Instituições bancárias alemãs já alertaram que um euro digital poderia erodir as suas bases de depósitos e confundir distinções essenciais entre o dinheiro do banco central e os serviços bancários comerciais. Esta preocupação reflete um medo mais amplo: que os cidadãos possam rapidamente transferir poupanças dos bancos tradicionais para contas digitais apoiadas pelo BCE durante períodos de crise financeira.
Legisladores conservadores também têm manifestado resistência. Fernando Navarrete, um eurodeputado do bloco conservador, defendeu uma versão simplificada do euro digital — limitada a transações de retalho offline e explicitamente proibida de perturbar os mecanismos de liquidação interbancária existentes. A sua posição reflete ceticismo quanto à ideia de que uma reformulação radical do sistema financeiro europeu serve melhor os cidadãos do que reformas incrementais na infraestrutura atual.
O Desafio Estratégico Mais Amplo
O debate sobre a moeda digital revela, em última análise, a situação difícil da Europa: como inovar e manter a competitividade global sem sacrificar os mecanismos de estabilidade que sustentaram a confiança financeira durante décadas.
O BCE vê o euro digital como uma ferramenta fundamental para fortalecer a independência monetária europeia e simplificar as transações transfronteiriças num mundo cada vez mais digital. No entanto, as instituições bancárias preocupam-se com consequências não intencionais — possíveis corridas aos depósitos, instabilidade sistémica ou perda do seu papel na criação de dinheiro.
A posição da Itália representa uma tentativa de conciliar estas tensões. Ao defender um sistema duplo com distribuição gradual de custos, o país propõe que a Europa não precise de escolher entre modernização e estabilidade. Em vez disso, ambos podem coexistir se a transição for gerida com cuidado e as responsabilidades forem partilhadas de forma adequada.
Com uma decisão legislativa prevista para 2026 e 2029 como data potencial de entrada em funcionamento, a estrutura financeira da Europa enfrenta um momento crítico. O debate sobre a moeda digital determinará, em última análise, se o continente molda o futuro do dinheiro — ou se será moldado por ele.