Movimentos dos preços internacionais do café no início de 2025 refletiram uma interação complexa de moedas, padrões climáticos e previsões de produção. O mercado de arábica registou ganhos expressivos, com contratos de março a subir 3,09%, enquanto o café robusta valorizou-se 1,86%. Estes avanços sublinham a crescente importância dos fatores macroeconómicos e das realidades de oferta na formação do mercado global de café, onde até mesmo a movimentação cambial de um único produtor pode desencadear oscilações significativas nos preços nos pisos de negociação internacionais.
Rally do Real Brasileiro Impulsiona os Preços Internacionais do Café
O principal catalisador para o recente aumento dos preços do café centrou-se na força do real brasileiro, que atingiu uma cotação máxima em 20 meses. Quando a moeda do Brasil se valoriza, desincentiva os produtores do país a venderem nos mercados internacionais, pois as receitas de exportação convertem-se em menos reais. Esta dinâmica apoiou diretamente os preços internacionais do café ao restringir a oferta. O Brasil continua a ser o maior produtor de arábica do mundo, conferindo à movimentação do real uma influência desproporcional nos mercados globais de café.
Para além disso, as exportações de café do Brasil contrairam-se acentuadamente em dezembro de 2024. As remessas totais de café verde caíram 18,4% em relação ao ano anterior, totalizando 2,86 milhões de sacos, com as exportações de arábica a diminuir 10% para 2,6 milhões de sacos e as de robusta a despencar 61%, para apenas 222.147 sacos. Esta fraqueza nas exportações deve-se em parte à precipitação abaixo da média nas principais regiões de cultivo. Minas Gerais, maior área de cultivo de arábica no Brasil, recebeu apenas 53% da precipitação média histórica em meados de janeiro, com apenas 33,9 milímetros, face aos níveis normais. Este stress climático forneceu suporte adicional aos preços internacionais do café ao sinalizar possíveis constrangimentos de oferta.
Dinâmicas de Inventário Globais Pintam um Quadro Misto
A situação de inventário para os preços internacionais do café apresenta uma perspetiva subtil. Os stocks de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em novembro de 2024, embora tenham recuperado para 461.829 sacos até meados de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta atingiram um mínimo de um ano em dezembro, antes de se recuperarem para 4.609 lotes no final de janeiro. Embora esta recuperação nas reservas armazenadas possa sugerir uma diminuição da escassez, a base de inventário permanece historicamente reduzida, apoiando os preços em níveis elevados.
A perspetiva de produção doméstica do Brasil acrescenta uma camada adicional ao prognóstico dos preços internacionais do café. A agência de previsão de colheitas do país, a Conab, aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em dezembro de 2024. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção do Brasil em 2025/26 diminuirá 3,1% face ao ano anterior, para 63 milhões de sacos, indicando desacordo sobre a trajetória e introduzindo incerteza nos modelos de previsão de preços do café internacional.
Surto de Robusta no Vietname Pressiona os Preços
O Vietname, maior produtor mundial de robusta, exerce uma influência decisiva nos preços internacionais para essa variedade. As exportações de café do país em 2025 aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname. Para o futuro, a produção de 2025/26 do Vietname está projetada para subir 6%, para 1,76 milhões de toneladas métricas, ou aproximadamente 29,4 milhões de sacos — um máximo de quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que a produção poderá subir 10% se as condições climáticas permanecerem favoráveis ao longo da temporada.
Este aumento na oferta vietnamita pressiona os preços internacionais do café, especialmente o robusta. O USDA prevê que a produção global de robusta em 2025/26 aumentará 10,9%, para 83,333 milhões de sacos, compensando uma diminuição projetada de 4,7% na produção de arábica, para 95,515 milhões de sacos. A produção mundial total de café deverá atingir um máximo recorde de 178,848 milhões de sacos em 2025/26, um aumento de 2,0% face ao ano anterior.
O que as Previsões Significam para os Preços Internacionais do Café à Frente
Apesar de existirem stocks globais abundantes no horizonte, os preços internacionais do café enfrentam pressões concorrentes. A Organização Internacional do Café reportou, em novembro, que as exportações globais do ano de comercialização 2024/25 caíram apenas 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sugerindo que o mercado permanece relativamente apertado. No entanto, a previsão de fim de ano do USDA projeta que os stocks finais em 2025/26 diminuirão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no ano anterior, indicando que as ofertas, embora abundantes, irão apertar-se modestamente.
Para os traders e produtores que monitorizam os preços internacionais do café, o horizonte depende de se os ganhos de produção — especialmente o surto de robusta do Vietname e os sinais mistos do Brasil — irão superar a procura global constante. Os movimentos cambiais, especialmente do real brasileiro, continuarão a ser uma variável crítica na determinação da direção das tendências dos preços internacionais do café nos próximos meses.
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Como os Preços Internacionais do Café estão sendo influenciados pela Moeda Brasileira e pelas Dinâmicas Globais de Oferta
Movimentos dos preços internacionais do café no início de 2025 refletiram uma interação complexa de moedas, padrões climáticos e previsões de produção. O mercado de arábica registou ganhos expressivos, com contratos de março a subir 3,09%, enquanto o café robusta valorizou-se 1,86%. Estes avanços sublinham a crescente importância dos fatores macroeconómicos e das realidades de oferta na formação do mercado global de café, onde até mesmo a movimentação cambial de um único produtor pode desencadear oscilações significativas nos preços nos pisos de negociação internacionais.
Rally do Real Brasileiro Impulsiona os Preços Internacionais do Café
O principal catalisador para o recente aumento dos preços do café centrou-se na força do real brasileiro, que atingiu uma cotação máxima em 20 meses. Quando a moeda do Brasil se valoriza, desincentiva os produtores do país a venderem nos mercados internacionais, pois as receitas de exportação convertem-se em menos reais. Esta dinâmica apoiou diretamente os preços internacionais do café ao restringir a oferta. O Brasil continua a ser o maior produtor de arábica do mundo, conferindo à movimentação do real uma influência desproporcional nos mercados globais de café.
Para além disso, as exportações de café do Brasil contrairam-se acentuadamente em dezembro de 2024. As remessas totais de café verde caíram 18,4% em relação ao ano anterior, totalizando 2,86 milhões de sacos, com as exportações de arábica a diminuir 10% para 2,6 milhões de sacos e as de robusta a despencar 61%, para apenas 222.147 sacos. Esta fraqueza nas exportações deve-se em parte à precipitação abaixo da média nas principais regiões de cultivo. Minas Gerais, maior área de cultivo de arábica no Brasil, recebeu apenas 53% da precipitação média histórica em meados de janeiro, com apenas 33,9 milímetros, face aos níveis normais. Este stress climático forneceu suporte adicional aos preços internacionais do café ao sinalizar possíveis constrangimentos de oferta.
Dinâmicas de Inventário Globais Pintam um Quadro Misto
A situação de inventário para os preços internacionais do café apresenta uma perspetiva subtil. Os stocks de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em novembro de 2024, embora tenham recuperado para 461.829 sacos até meados de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta atingiram um mínimo de um ano em dezembro, antes de se recuperarem para 4.609 lotes no final de janeiro. Embora esta recuperação nas reservas armazenadas possa sugerir uma diminuição da escassez, a base de inventário permanece historicamente reduzida, apoiando os preços em níveis elevados.
A perspetiva de produção doméstica do Brasil acrescenta uma camada adicional ao prognóstico dos preços internacionais do café. A agência de previsão de colheitas do país, a Conab, aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em dezembro de 2024. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção do Brasil em 2025/26 diminuirá 3,1% face ao ano anterior, para 63 milhões de sacos, indicando desacordo sobre a trajetória e introduzindo incerteza nos modelos de previsão de preços do café internacional.
Surto de Robusta no Vietname Pressiona os Preços
O Vietname, maior produtor mundial de robusta, exerce uma influência decisiva nos preços internacionais para essa variedade. As exportações de café do país em 2025 aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname. Para o futuro, a produção de 2025/26 do Vietname está projetada para subir 6%, para 1,76 milhões de toneladas métricas, ou aproximadamente 29,4 milhões de sacos — um máximo de quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que a produção poderá subir 10% se as condições climáticas permanecerem favoráveis ao longo da temporada.
Este aumento na oferta vietnamita pressiona os preços internacionais do café, especialmente o robusta. O USDA prevê que a produção global de robusta em 2025/26 aumentará 10,9%, para 83,333 milhões de sacos, compensando uma diminuição projetada de 4,7% na produção de arábica, para 95,515 milhões de sacos. A produção mundial total de café deverá atingir um máximo recorde de 178,848 milhões de sacos em 2025/26, um aumento de 2,0% face ao ano anterior.
O que as Previsões Significam para os Preços Internacionais do Café à Frente
Apesar de existirem stocks globais abundantes no horizonte, os preços internacionais do café enfrentam pressões concorrentes. A Organização Internacional do Café reportou, em novembro, que as exportações globais do ano de comercialização 2024/25 caíram apenas 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sugerindo que o mercado permanece relativamente apertado. No entanto, a previsão de fim de ano do USDA projeta que os stocks finais em 2025/26 diminuirão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no ano anterior, indicando que as ofertas, embora abundantes, irão apertar-se modestamente.
Para os traders e produtores que monitorizam os preços internacionais do café, o horizonte depende de se os ganhos de produção — especialmente o surto de robusta do Vietname e os sinais mistos do Brasil — irão superar a procura global constante. Os movimentos cambiais, especialmente do real brasileiro, continuarão a ser uma variável crítica na determinação da direção das tendências dos preços internacionais do café nos próximos meses.