Durante quase duas décadas, Warren Buffett tem sido um dos críticos mais vocais das criptomoedas. No entanto, numa reversão surpreendente, a sua empresa Berkshire Hathaway agora detém mais de 1,2 mil milhões de dólares em investimentos ligados ao espaço dos ativos digitais — uma posição que parece contradizer diretamente tudo o que o lendário investidor afirmou sobre as criptomoedas.
Décadas de Críticas às Criptomoedas por Warren Buffett
A aversão de Warren Buffett às criptomoedas tem sido consistente e direta. Na reunião anual da Berkshire Hathaway em 2018, ele chamou famously o Bitcoin de “provavelmente veneno de rato ao quadrado”. Nesse mesmo ano, numa entrevista à CNBC, reforçou a sua posição: “Quando se trata de criptomoedas, posso dizer quase com certeza que terão um desfecho negativo. Não possuímos nenhuma criptomoeda, não vendemos a descoberto nenhuma criptomoeda, nunca a possuiremos.”
O seu ceticismo estendeu-se para os anos 2020. Na reunião de acionistas de 2022, Buffett fez uma crítica particularmente colorida: “Se me dissesses que possuías todo o Bitcoin do mundo e me o oferecesses por 25 dólares, não o aceitaria porque o que faria com ele? Teria que vendê-lo de volta a ti, de qualquer forma. Não faz nada.”
Buffett tem argumentado consistentemente que a sua relutância em investir em crypto decorre de um princípio fundamental: “Tive problemas por coisas que acho que entendo. Então, por que razão gostaria de apostar a favor ou contra algo que não entendo de todo?” Esta filosofia tem definido há muito a sua abordagem cautelosa ao setor.
O Investimento Silencioso: Como a Berkshire Hathaway Construíu a Sua Exposição às Criptomoedas
Apesar da oposição pública de Buffett às criptomoedas, a Berkshire Hathaway construiu silenciosamente uma posição significativa na Nu Holdings Ltd., um banco digital com sede no Brasil que opera a sua própria plataforma de criptomoedas. A estratégia de investimento da empresa desenrolou-se em fases:
Em 2021, a Berkshire Hathaway participou na ronda de financiamento Série G da Nu com um investimento de 500 milhões de dólares, seguido por mais 250 milhões. Este compromisso de 750 milhões marcou o início do que viria a ser a sua participação substancial relacionada com criptoativos. Em 2022, a Nu lançou a Nubank Cripto, uma plataforma dedicada a criptomoedas que inicialmente suportava Bitcoin (68,80 mil dólares), Ethereum (1,98 mil dólares) e Polygon. Desde então, a plataforma expandiu-se para incluir Uniswap (3,51 dólares) e Chainlink (8,82 dólares), permitindo aos utilizadores enviar, receber e trocar ativos digitais.
De acordo com documentos da SEC, a Berkshire Hathaway aumentou gradualmente a sua participação na Nu Holdings de 0,1% no quarto trimestre de 2022 para 0,4% até ao terceiro trimestre de 2024. No final do terceiro trimestre do ano fiscal de 2024, a empresa detinha mais de 86 milhões de ações, avaliadas em aproximadamente 1,2 mil milhões de dólares. As ações da Nu subiram cerca de 34% em relação ao ano anterior, demonstrando um forte desempenho no mercado.
A própria Warren Buffett e a sua lendária empresa recusaram-se a comentar sobre esta aparente mudança de estratégia quando contactados por meios de comunicação, incluindo a Fortune.
Porquê a Mudança? Compreender a Abordagem Conservadora da Berkshire
A discrepância entre as declarações públicas de Buffett e o comportamento de investimento real da Berkshire Hathaway levanta uma questão importante: por que investir numa instituição financeira ligada a criptoativos?
Uma possível explicação reside na natureza do próprio investimento. A Berkshire Hathaway está a investir na Nu Holdings enquanto empresa de serviços financeiros, não apenas como uma jogada de cripto. A Nu opera como uma plataforma de banca digital abrangente, com milhões de utilizadores em toda a América Latina. A funcionalidade de criptomoedas representa apenas um componente de uma oferta fintech mais ampla.
Além disso, é crucial compreender a postura geral de investimento da Berkshire Hathaway. Em finais de 2024, a empresa mantém mais de 325 mil milhões de dólares em dinheiro e equivalentes, maioritariamente em títulos do Tesouro dos EUA. Mesmo com a posição de 1,2 mil milhões na Nu, a Berkshire mantém uma postura notavelmente conservadora — evitando participações significativas em ações em alta, mesmo durante mercados de alta.
“A Berkshire tem tido sucesso ao longo dos anos precisamente porque mantém uma abordagem aborrecida neste aspeto”, afirmou Meyer Shields, diretor-geral do banco de investimento boutique Keefe, Bruyette & Woods, à Fortune em novembro de 2024. Esta avaliação capta a essência da filosofia da empresa: uma alocação de capital metódica e paciente, em vez de apostas especulativas.
Embora Warren Buffett não tenha abandonado explicitamente o seu ceticismo em relação às criptomoedas, as ações da Berkshire Hathaway demonstram que a distinção entre evitar criptomoedas por completo e evitar criptomoedas como um investimento principal pode ser mais subtil do que as suas declarações anteriores sugeriam. Se isto representa uma mudança genuína de pensamento ou apenas um investimento numa fintech bem-sucedida que oferece serviços de cripto, permanece uma questão aberta para observadores e acionistas.
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O Paradoxo Cripto de Warren Buffett: A aposta de 1,2 mil milhões de dólares da Berkshire Hathaway desafia anos de ceticismo
Durante quase duas décadas, Warren Buffett tem sido um dos críticos mais vocais das criptomoedas. No entanto, numa reversão surpreendente, a sua empresa Berkshire Hathaway agora detém mais de 1,2 mil milhões de dólares em investimentos ligados ao espaço dos ativos digitais — uma posição que parece contradizer diretamente tudo o que o lendário investidor afirmou sobre as criptomoedas.
Décadas de Críticas às Criptomoedas por Warren Buffett
A aversão de Warren Buffett às criptomoedas tem sido consistente e direta. Na reunião anual da Berkshire Hathaway em 2018, ele chamou famously o Bitcoin de “provavelmente veneno de rato ao quadrado”. Nesse mesmo ano, numa entrevista à CNBC, reforçou a sua posição: “Quando se trata de criptomoedas, posso dizer quase com certeza que terão um desfecho negativo. Não possuímos nenhuma criptomoeda, não vendemos a descoberto nenhuma criptomoeda, nunca a possuiremos.”
O seu ceticismo estendeu-se para os anos 2020. Na reunião de acionistas de 2022, Buffett fez uma crítica particularmente colorida: “Se me dissesses que possuías todo o Bitcoin do mundo e me o oferecesses por 25 dólares, não o aceitaria porque o que faria com ele? Teria que vendê-lo de volta a ti, de qualquer forma. Não faz nada.”
Buffett tem argumentado consistentemente que a sua relutância em investir em crypto decorre de um princípio fundamental: “Tive problemas por coisas que acho que entendo. Então, por que razão gostaria de apostar a favor ou contra algo que não entendo de todo?” Esta filosofia tem definido há muito a sua abordagem cautelosa ao setor.
O Investimento Silencioso: Como a Berkshire Hathaway Construíu a Sua Exposição às Criptomoedas
Apesar da oposição pública de Buffett às criptomoedas, a Berkshire Hathaway construiu silenciosamente uma posição significativa na Nu Holdings Ltd., um banco digital com sede no Brasil que opera a sua própria plataforma de criptomoedas. A estratégia de investimento da empresa desenrolou-se em fases:
Em 2021, a Berkshire Hathaway participou na ronda de financiamento Série G da Nu com um investimento de 500 milhões de dólares, seguido por mais 250 milhões. Este compromisso de 750 milhões marcou o início do que viria a ser a sua participação substancial relacionada com criptoativos. Em 2022, a Nu lançou a Nubank Cripto, uma plataforma dedicada a criptomoedas que inicialmente suportava Bitcoin (68,80 mil dólares), Ethereum (1,98 mil dólares) e Polygon. Desde então, a plataforma expandiu-se para incluir Uniswap (3,51 dólares) e Chainlink (8,82 dólares), permitindo aos utilizadores enviar, receber e trocar ativos digitais.
De acordo com documentos da SEC, a Berkshire Hathaway aumentou gradualmente a sua participação na Nu Holdings de 0,1% no quarto trimestre de 2022 para 0,4% até ao terceiro trimestre de 2024. No final do terceiro trimestre do ano fiscal de 2024, a empresa detinha mais de 86 milhões de ações, avaliadas em aproximadamente 1,2 mil milhões de dólares. As ações da Nu subiram cerca de 34% em relação ao ano anterior, demonstrando um forte desempenho no mercado.
A própria Warren Buffett e a sua lendária empresa recusaram-se a comentar sobre esta aparente mudança de estratégia quando contactados por meios de comunicação, incluindo a Fortune.
Porquê a Mudança? Compreender a Abordagem Conservadora da Berkshire
A discrepância entre as declarações públicas de Buffett e o comportamento de investimento real da Berkshire Hathaway levanta uma questão importante: por que investir numa instituição financeira ligada a criptoativos?
Uma possível explicação reside na natureza do próprio investimento. A Berkshire Hathaway está a investir na Nu Holdings enquanto empresa de serviços financeiros, não apenas como uma jogada de cripto. A Nu opera como uma plataforma de banca digital abrangente, com milhões de utilizadores em toda a América Latina. A funcionalidade de criptomoedas representa apenas um componente de uma oferta fintech mais ampla.
Além disso, é crucial compreender a postura geral de investimento da Berkshire Hathaway. Em finais de 2024, a empresa mantém mais de 325 mil milhões de dólares em dinheiro e equivalentes, maioritariamente em títulos do Tesouro dos EUA. Mesmo com a posição de 1,2 mil milhões na Nu, a Berkshire mantém uma postura notavelmente conservadora — evitando participações significativas em ações em alta, mesmo durante mercados de alta.
“A Berkshire tem tido sucesso ao longo dos anos precisamente porque mantém uma abordagem aborrecida neste aspeto”, afirmou Meyer Shields, diretor-geral do banco de investimento boutique Keefe, Bruyette & Woods, à Fortune em novembro de 2024. Esta avaliação capta a essência da filosofia da empresa: uma alocação de capital metódica e paciente, em vez de apostas especulativas.
Embora Warren Buffett não tenha abandonado explicitamente o seu ceticismo em relação às criptomoedas, as ações da Berkshire Hathaway demonstram que a distinção entre evitar criptomoedas por completo e evitar criptomoedas como um investimento principal pode ser mais subtil do que as suas declarações anteriores sugeriam. Se isto representa uma mudança genuína de pensamento ou apenas um investimento numa fintech bem-sucedida que oferece serviços de cripto, permanece uma questão aberta para observadores e acionistas.