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Acabei de perceber algo interessante nos dados mais recentes de fluxo de capital que vale a pena prestar atenção. Investidores estrangeiros parecem ter iniciado uma greve de compras bastante significativa em ativos dos EUA nos últimos dois meses, e está começando a parecer mais do que apenas uma pausa temporária.
George Saravelos e a equipe do Deutsche Bank têm monitorado fluxos em tempo real em cerca de 400 ETFs dos EUA focados no exterior, e o quadro que estão pintando é bastante sombrio. Houve uma parada abrupta nas compras estrangeiras de ações e títulos americanos, com os títulos na verdade enfrentando uma pressão de venda direta. Quando você combina isso com estatísticas mais amplas de fundos, o padrão fica mais claro: os influxos de capital estrangeiro desaceleraram drasticamente em todos os setores.
O que torna isso digno de discussão é a escala. A participação de ativos dos EUA em carteiras europeias quadruplicou desde 2010, então estamos falando de uma liquidação significativa de posições. A greve de compradores não está afetando apenas ações — ela também aparece na demanda por títulos do Tesouro, o que pode ter implicações reais para a forma como os EUA financiam seus déficits.
Curiosamente, Saravelos mudou de ser um touro do dólar para prever fraqueza, com projeções para o EUR/USD atingindo 1,30 e o USD/JPY caindo para 115 até 2027. Essa é uma mudança bastante dramática na convicção, e é com base nessa observação que o capital estrangeiro está desacelerando ou saindo ativamente.
A questão agora é se isso é uma reprecificação temporária ou o começo de algo mais estrutural. Se os investidores estrangeiros permanecerem à margem, os custos de financiamento dos títulos do Tesouro dos EUA podem subir, o que cria um ciclo de feedback que ninguém realmente quer ver. Por outro lado, se essas avaliações ficarem baratas o suficiente, a greve de compradores pode eventualmente se inverter — a história sugere que investidores estrangeiros voltam quando os prêmios de risco se ajustam e a clareza na política retorna.
O status do dólar como moeda de reserva e a profundidade dos mercados dos EUA oferecem alguma proteção aqui, mas a fraqueza simultânea recente em ações e títulos definitivamente é algo para monitorar de perto. Pode ser um daqueles sinais de alerta precoce que redesenha os fluxos de capital para o próximo ciclo.