

A crise financeira de 2008 abalou profundamente a economia mundial, com impactos duradouros que continuam a moldar os sistemas financeiros globais. Quase vinte anos depois, persistem preocupações quanto à evolução da regulação e, sobretudo, sobre como prevenir futuras crises económicas desta magnitude.
O que começou como uma crise no mercado hipotecário subprime transformou-se rapidamente numa crise financeira global e numa recessão generalizada. Os resgates governamentais em larga escala e a recessão subsequente levaram muitos a questionar a estabilidade e a transparência dos sistemas bancários internacionais em que confiavam.
A crise financeira de 2008, reconhecida como a maior catástrofe económica desde a Grande Depressão, devastou a economia mundial. Daí resultou a denominada Grande Recessão, marcada por uma queda abrupta dos preços do imobiliário e um aumento acentuado do desemprego. As consequências foram profundas e continuam a influenciar os sistemas financeiros nos dias de hoje.
Só nos Estados Unidos, mais de oito milhões de pessoas perderam o emprego, cerca de 2,5 milhões de empresas desapareceram e quase quatro milhões de casas foram alvo de execução hipotecária em menos de dois anos. A confiança no sistema foi abalada, com receios quanto à segurança alimentar e ao agravamento da desigualdade de rendimentos.
A recessão terminou oficialmente em 2009, mas os efeitos prolongaram-se, em particular nos Estados Unidos. A taxa de desemprego atingiu os 10 % em 2009 e demorou anos a regressar aos níveis anteriores à crise. O processo de recuperação expôs a fragilidade dos sistemas financeiros interligados.
Diversos fatores estiveram na origem desta crise económica. Uma “tempestade perfeita” estava em formação e, ao atingir o seu ponto crítico, desencadeou-se a crise financeira. As instituições financeiras concederam empréstimos de elevado risco, em especial hipotecas, que acabaram por originar volumosos resgates financiados pelos contribuintes.
A raiz da crise financeira de 2008 é complexa, mas foi o mercado imobiliário norte-americano que despoletou uma reação em cadeia, expondo fragilidades do sistema financeiro. O colapso do Lehman Brothers agravou dramaticamente a situação nas economias americana e europeia. Este episódio revelou ao público as vulnerabilidades dos grandes bancos e provocou perturbações globais devido à forte interligação da economia mundial.
Apesar de terem passado quase duas décadas desde a crise financeira, as preocupações mantêm-se. Os efeitos desta recessão persistem e a recuperação económica global tem sido modesta face ao histórico. Empréstimos de elevado risco voltam a ser concedidos e, embora as taxas de incumprimento permaneçam reduzidas, as condições podem mudar rapidamente.
As autoridades de supervisão defendem que o sistema financeiro global sofreu alterações significativas desde 2008 e que as salvaguardas foram reforçadas. Muitos consideram que o sistema financeiro internacional é hoje mais sólido do que no rescaldo da crise.
No entanto, subsiste a interrogação: poderá uma crise desta dimensão repetir-se? A resposta, infelizmente, é afirmativa. Apesar das reformas e da nova regulação, subsistem problemas estruturais. A crise de 2008 recorda-nos o peso das decisões políticas. Muitos dos acontecimentos resultaram de opções tomadas por reguladores, políticos e entidades supervisoras nos anos anteriores à crise. Desde agências de supervisão pouco eficazes ao impacto da cultura empresarial, a Grande Recessão continua a ser uma referência incontornável e não apenas um episódio histórico.
Se, por um lado, a crise financeira de 2008 expôs os riscos do sistema bancário tradicional, foi também nesse ano que surgiu o Bitcoin — a primeira criptomoeda.
Ao contrário das moedas fiduciárias como o dólar dos EUA ou a libra esterlina, o Bitcoin e outras criptomoedas são descentralizados, não estando sob a alçada de qualquer governo nacional ou banco central. A emissão de novas moedas é regida por um conjunto de regras pré-definidas, o protocolo.
O protocolo do Bitcoin e o seu algoritmo de consenso Proof of Work garantem que a emissão de novas unidades segue um calendário regular. Em concreto, a criação de novas moedas depende de um processo chamado mining. Os miners não só introduzem novas moedas no sistema, como também asseguram a proteção da rede ao validar e confirmar transações.
O protocolo estipula ainda um limite máximo fixo: existirão apenas 21 milhões de Bitcoins em todo o mundo. Assim, não há surpresas quanto à oferta presente e futura desta criptomoeda. Além disso, o código-fonte do Bitcoin é open source, permitindo a qualquer pessoa auditar, contribuir e participar ativamente no seu desenvolvimento.
Apesar de terem passado quase vinte anos desde a crise financeira de 2008, permanece a memória da fragilidade do sistema bancário internacional. Embora não haja certezas, é plausível que tal tenha motivado a criação de um ativo digital descentralizado como o Bitcoin.
Apesar do caminho ainda por percorrer, as criptomoedas representam já uma alternativa viável ao dinheiro fiduciário tradicional. Este modelo económico alternativo pode promover independência financeira onde ela não existia, sendo certo que encerra potencial para contribuir para uma sociedade mais justa no futuro.
A crise de 2008 teve origem no colapso do crédito hipotecário subprime, na assunção excessiva de risco pelas instituições financeiras e no rebentamento da bolha imobiliária. Estes fatores desencadearam incumprimentos em larga escala, congelamento do crédito e instabilidade sistémica global.
O incumprimento das hipotecas subprime provocou perdas avultadas nos bancos com estes créditos de risco, levando ao bloqueio dos mercados de crédito a nível global e desencadeando o colapso financeiro em instituições em todo o mundo.
A crise de 2008 causou recessões globais, agravamento da desigualdade de rendimentos e menor potencial de crescimento. Muitos países registaram perdas prolongadas face às tendências anteriores, com taxas de migração a diminuir e respostas políticas específicas a marcar a recuperação de cada país.
O Lehman Brothers faliu, representando a maior insolvência de sempre. A AIG, o Citigroup e outras instituições de relevo receberam apoio estatal via TARP. O Bank of America também recorreu a medidas de emergência para estabilizar o sistema financeiro.
A crise de 2008 destacou-se pelas perdas severas em setores financeiros pouco regulados, como derivados e títulos hipotecários. Ao contrário das recessões anteriores, geralmente circunscritas à banca tradicional, esta crise sistémica propagou-se globalmente por instituições financeiras interligadas, levando a intervenções e resgates governamentais sem precedentes.
Entre as reformas-chave contam-se o Dodd-Frank Act, os requisitos de capital Basileia III e a criação do Financial Stability Board. As principais medidas centraram-se no reforço dos rácios de capital, implementação de testes de stress, aumento da transparência e supervisão dos riscos sistémicos para prevenir novas crises.











