
A empresa canadiana de blockchain BTQ Technologies anunciou que concluiu a primeira implementação completa da Proposta de Melhoria do Bitcoin BIP 360 na versão 0.3.0 da rede de teste do Bitcoin Quantum (Bitcoin Quantum Testnet). Atualmente, mais de 50 mineiros participaram, o número de blocos minerados com o token exclusivo da rede de teste, BTQ, já ultrapassou 100 mil, formando uma comunidade ativa de código aberto.
Para entender a necessidade do BIP 360, é preciso começar com a atualização Taproot de 2021. O Taproot é a base fundamental que sustenta inovações importantes como a Lightning Network, BitVM e Ark, sendo amplamente considerado como a infraestrutura essencial para as próximas aplicações do Bitcoin. No entanto, seu mecanismo de gasto por caminho de chave (Key Path Spend) apresenta uma vulnerabilidade potencial: pode expor a chave pública do usuário na blockchain.
Sob a hipótese de existência de computadores quânticos suficientemente poderosos, a chave pública exposta poderia ser atacada pelo algoritmo de Shor, permitindo que um atacante derive a chave privada a partir da pública, falsificando assinaturas e roubando fundos.
A solução proposta pelo BIP 360 é a introdução de um novo tipo de saída, chamado “Pagamento para Raiz de Merkle” (P2MR, Pay-to-Merkle-Root) — uma estrutura de árvore de hash que compromete diretamente a raiz de Merkle do script, sem depender de chaves internas ou operações de ajuste fino. Isso mantém as funcionalidades de script do Taproot, ao mesmo tempo que corta o caminho que poderia ser explorado por ataques quânticos.
A implementação do BTQ nesta versão vai além de uma demonstração conceitual, possuindo uma verificação ponta a ponta real.
Formato de endereço: utiliza o formato bc1z (codificado em bech32m) de Segregated Witness versão 2, permitindo uma identificação clara do tipo de endereço.
Integração de assinaturas pós-quânticas: habilita todas as 5 operações de assinatura Dilithium no ambiente de script de toque P2MR.
Algoritmo padrão NIST: Dilithium é um algoritmo de assinatura digital pós-quântico padronizado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST), garantindo que a rede de teste possua uma verificação de assinatura resistente a ataques quânticos reais.
Ferramentas completas: fornece uma interface de linha de comando (CLI) completa de carteira e suporte RPC completo, permitindo aos usuários criar, financiar, assinar, transmitir e confirmar transações P2MR de ponta a ponta.
No debate sobre ameaças quânticas, há divergências significativas na indústria. Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy Digital, afirma que a ameaça quântica ao Bitcoin existe, mas atualmente afeta apenas carteiras expostas específicas, não representando uma ameaça imediata à segurança geral da rede — “as pessoas mais capazes de resolver esse problema estão ativamente lidando com ele”.
A organização de pesquisa em segurança Project Eleven estima que cerca de 7 milhões de bitcoins estão potencialmente expostos, devido a práticas como reutilização de endereços, uso de endereços antigos e hábitos de algumas instituições custodiais. No entanto, com a capacidade de computação quântica atualmente conhecida publicamente, esses fundos ainda permanecem seguros. Quanto ao cronograma de implementação do BIP 360, a comunidade do Bitcoin costuma ser cautelosa com mudanças de protocolo; o próprio Taproot levou anos desde a proposta até a ativação, e a complexidade de uma atualização anti-quântica envolvendo migração criptográfica é ainda maior, além dos desafios de governança.
O que exatamente o BIP 360 resolve?
O BIP 360 propõe o tipo de saída P2MR, que substitui o mecanismo de exposição de chaves públicas na estrutura de caminho de chave do Taproot por uma estrutura de compromisso de árvore de hash. Em um cenário de computadores quânticos poderosos, essa mudança impede que atacantes usem o algoritmo de Shor para derivar chaves privadas a partir de chaves públicas na blockchain, eliminando o principal vetor de ataque quântico.
A ameaça potencial de 7 milhões de bitcoins significa que esses fundos estão imediatamente em risco?
Atualmente, não. Segundo a pesquisa do Project Eleven, esses bitcoins têm chaves públicas expostas na blockchain, mas permanecem seguros com a capacidade de computação quântica conhecida publicamente. Alex Thorn também destacou que a ameaça quântica ainda não representa uma ameaça imediata à segurança da rede, e a crise não é iminente.
Quando o BIP 360 poderá ser oficialmente ativado na rede principal do Bitcoin?
Atualmente, o BIP 360 ainda está na fase de rascunho e não entrou no processo formal de revisão de propostas de melhoria do Bitcoin (BIP). Para sua implementação na rede principal, é necessário passar por revisão dos desenvolvedores principais, consenso de mineradores e operadores de nós. A governança do Bitcoin é tradicionalmente cautelosa; por exemplo, o Taproot levou anos desde a proposta até a ativação, e uma atualização anti-quântica envolve maior complexidade de migração criptográfica, tornando difícil prever uma data exata.