O maior questionamento do mercado cambial em 2026 não é se os bancos centrais irão agir—é quais irão, e com que agressividade. A Federal Reserve já cortou três vezes em 2025 e sinaliza mais afrouxamentos pela frente. A BCE, por sua vez, permanece em modo de pausa. Essa divergência será o principal motor da trajetória do EUR/USD, com possíveis efeitos de transbordo na previsão do euro para CAD e na dinâmica cambial mais ampla.
O Motor de Afrouxamento da Fed Está a Funcionar, e 2026 Pode Ver Mais
A Federal Reserve dos EUA encerrou 2025 com três cortes de taxa—superando sua orientação anterior de dois. Após manter-se estável em 4,5% durante a primeira metade (parcialmente devido a preocupações com a inflação tarifária), a Fed pivotou em setembro, realizando uma redução de 25 pontos base nesse mês, seguida por mais duas movimentações em outubro e dezembro. O alvo das taxas de fundos federais agora situa-se entre 3,5% e 3,75%.
A dimensão política acrescenta uma camada extra de intriga. O mandato de Jerome Powell expira em maio de 2026, e o consenso do mercado sugere que ele não será reconduzido. Trump criticou abertamente Powell por ser demasiado cauteloso nas reduções de taxas e sinalizou que seu sucessor adotará uma postura mais dovish. A administração que está por chegar parece focada em selecionar um presidente do Fed alinhado com um afrouxamento mais rápido.
As principais instituições financeiras estão alinhadas na probabilidade de mais cortes. Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Wells Fargo, Nomura e Barclays projetam todos dois cortes em 2026, levando a faixa das taxas de fundos federais para cerca de 3,00%–3,25%. O Economista-Chefe da Moody’s, Mark Zandi, concorda com essa visão, embora a enquadre de forma diferente: não porque o crescimento dos EUA esteja em alta, mas porque a economia está numa situação precária de “equilíbrio delicado”. Nessas condições, os cortes de taxa tornam-se apoiantes em vez de estimulantes.
O Padrão de Manutenção da BCE: Preocupações com o Crescimento Encontram Inflação Persistente
Em forte contraste, a Banco Central Europeu parece improvável de alterar significativamente a política em 2026. A BCE manteve todas as três taxas principais inalteradas em dezembro, mantendo a taxa de depósito em 2,00%, a taxa de refinanciamento principal em 2,15% e a facilidade de empréstimo marginal em 2,40%. As declarações da presidente Christine Lagarde após a reunião sinalizaram satisfação com a postura atual, descrevendo a política como estando em um “bom lugar”—linguagem da BCE para “sem pressa para agir”.
A inflação apresenta um quadro misto que justifica a cautela da BCE. Dados do Eurostat mostram uma inflação de 2,2% ano a ano em novembro, acima do objetivo de 2,0% da BCE. Ainda mais preocupante é a composição: os preços de energia diminuíram, mas a inflação de serviços—o componente mais resistente que os bancos centrais monitoram de perto—subiu para 3,5%. Este é exatamente o tipo de pressão de preços que torna politicamente difícil realizar cortes de taxa.
No que diz respeito ao crescimento, a expansão da Zona Euro permanece tímida. As projeções de outono da Comissão Europeia indicam crescimento do PIB de 1,3% em 2025, caindo para 1,2% em 2026, e recuperando-se apenas modestamente para 1,4% em 2027. Dados do terceiro trimestre revelaram uma expansão trimestral de 0,2% para o bloco como um todo, com distribuição desigual: Espanha e França registraram 0,6% e 0,5%, respectivamente, enquanto Alemanha e Itália estagnaram. O setor automotivo da Alemanha—afetado pela transição para veículos elétricos e pressões na cadeia de abastecimento—registrou uma queda de 5% na produção.
A política comercial acrescenta outro obstáculo. A estrutura de tarifas recíprocas da administração Trump elevou a perspectiva de tarifas de 10%–20% sobre bens da UE. Estimativas iniciais sugerem que as exportações da UE para os EUA poderiam diminuir 3%, com automóveis e produtos químicos sofrendo o maior impacto. Esse choque na demanda externa poderia intensificar as preocupações de crescimento se se concretizar.
O consenso do mercado, refletido em uma pesquisa da Reuters, espera que a BCE mantenha as taxas até 2026 e até 2027, embora a confiança diminua drasticamente além desse período. Economistas como Christian Kopf (Union Investment) não veem movimento de curto prazo; se algo mudar, é mais provável no final de 2026 ou início de 2027, e uma alta ao invés de uma redução é a direção presumida se as condições justificarem.
A Diferença de Taxas se Amplia: O que o EUR/USD Faz a Seguir
A previsão do EUR/USD depende de um mecanismo simples: enquanto a Fed corta e a BCE mantém, o diferencial de rendimento EUA-Europa diminui. Historicamente, uma redução na diferença de taxas tem apoiado o euro. Mas os mercados cambiais negociam narrativas tanto quanto números, e o motivo pelo qual a diferença se move importa tanto quanto a magnitude.
Duas situações dominam o debate:
Cenário 1 – Europa Resiste: Se o crescimento da Zona Euro permanecer acima de 1,3% e a inflação subir lentamente, a BCE provavelmente manterá sua postura atual. A Fed continuará cortando em 2026. A diferença de rendimento diminui, apoiando o euro. Nesse cenário, o EUR/USD pode testar acima de 1.20.
Cenário 2 – Europa Despenca: Se o crescimento da Zona Euro decepcionar (caindo abaixo de 1.3%), e choques externos (tarifas, fricções comerciais) intensificarem a desaceleração, a BCE pode sentir-se compelida a afrouxar a política para apoiar a atividade. Isso inverteria a dinâmica: ao invés de uma redução na diferença de rendimento que apoia o euro, veríamos cortes diretos da BCE que enfraqueceriam a moeda. Nesse caso, o EUR/USD provavelmente recuaria para perto de 1.13, com 1.10 como alvo de baixa potencial se a queda acelerar.
As principais instituições oferecem previsões divergentes, refletindo diferentes suposições:
Visão Baixista da Citi: A Citi projeta o EUR/USD caindo para 1.10 em 2026, prevendo um fundo no terceiro trimestre próximo desse nível—cerca de 6% abaixo dos atuais 1.1650. A tese: o recuperação do crescimento dos EUA enquanto a Fed corta menos do que o mercado atualmente precifica, prolongando o período de força relativa do dólar.
Visão Otimista da UBS: A UBS Global Wealth Management (via EMEA CIO Themis Themistocleous) assume a posição inversa. Se a BCE permanecer em pausa enquanto a Fed realiza cortes substanciais, a diferença de rendimento realmente diminui, apoiando a valorização do euro. A UBS espera que o EUR/USD suba em direção a 1.20 até meados de 2026.
Implicações para a Previsão do Euro para CAD e na Dinâmica Cambial Mais Ampla
A trajetória do EUR/USD influenciará pares de moedas, incluindo euro para CAD. O dólar canadense, como moeda ligada a commodities, permanece sensível ao sentimento de risco e às expectativas de crescimento dos EUA. Um euro mais forte (no cenário de 1.20) provavelmente acompanhará uma maior apetência por risco, potencialmente enfraquecendo o dólar canadense. Por outro lado, um euro mais fraco (no cenário de 1.10) geralmente surge durante períodos de aversão ao risco, quando refúgios seguros como o dólar canadense podem se beneficiar.
Em 2026, a previsão do euro para CAD dependerá parcialmente de como o EUR/USD se comporta, mas também dos dados econômicos canadenses e do caminho da política do Banco do Canadá. Se o BoC também cortar enquanto a BCE mantém, o diferencial de carry positivo poderia apoiar o dólar canadense em relação ao euro, empurrando o par euro para CAD para baixo. Se o crescimento surpreender positivamente, reduzindo as expectativas de afrouxamento de ambos os bancos centrais, o par pode estabilizar ou subir.
A Conclusão
A trajetória do euro em 2026 é fundamentalmente uma aposta em duas coisas: se o crescimento europeu se mostrar suficientemente resiliente para manter a postura de pausa da BCE, e se o caminho de afrouxamento da Fed corresponder às expectativas do mercado. O diferencial de taxas fornece a estrutura mecânica, mas a história por trás dela importa mais. Se a narrativa for “Fed corta + BCE mantém + Europa se arrasta”, o EUR/USD tem espaço para valorizar até e além de 1.20. Se as manchetes forem “choques comerciais + decepção de crescimento + BCE pivoteando para afrouxar”, então 1.13 e 1.10 deixam de ser cenários de pior caso e passam a ser cenários-base.
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Previsão de EUR/USD e Euro para CAD em 2026: Cortes do Fed, Inação do BCE e o que vem a seguir
O maior questionamento do mercado cambial em 2026 não é se os bancos centrais irão agir—é quais irão, e com que agressividade. A Federal Reserve já cortou três vezes em 2025 e sinaliza mais afrouxamentos pela frente. A BCE, por sua vez, permanece em modo de pausa. Essa divergência será o principal motor da trajetória do EUR/USD, com possíveis efeitos de transbordo na previsão do euro para CAD e na dinâmica cambial mais ampla.
O Motor de Afrouxamento da Fed Está a Funcionar, e 2026 Pode Ver Mais
A Federal Reserve dos EUA encerrou 2025 com três cortes de taxa—superando sua orientação anterior de dois. Após manter-se estável em 4,5% durante a primeira metade (parcialmente devido a preocupações com a inflação tarifária), a Fed pivotou em setembro, realizando uma redução de 25 pontos base nesse mês, seguida por mais duas movimentações em outubro e dezembro. O alvo das taxas de fundos federais agora situa-se entre 3,5% e 3,75%.
A dimensão política acrescenta uma camada extra de intriga. O mandato de Jerome Powell expira em maio de 2026, e o consenso do mercado sugere que ele não será reconduzido. Trump criticou abertamente Powell por ser demasiado cauteloso nas reduções de taxas e sinalizou que seu sucessor adotará uma postura mais dovish. A administração que está por chegar parece focada em selecionar um presidente do Fed alinhado com um afrouxamento mais rápido.
As principais instituições financeiras estão alinhadas na probabilidade de mais cortes. Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Wells Fargo, Nomura e Barclays projetam todos dois cortes em 2026, levando a faixa das taxas de fundos federais para cerca de 3,00%–3,25%. O Economista-Chefe da Moody’s, Mark Zandi, concorda com essa visão, embora a enquadre de forma diferente: não porque o crescimento dos EUA esteja em alta, mas porque a economia está numa situação precária de “equilíbrio delicado”. Nessas condições, os cortes de taxa tornam-se apoiantes em vez de estimulantes.
O Padrão de Manutenção da BCE: Preocupações com o Crescimento Encontram Inflação Persistente
Em forte contraste, a Banco Central Europeu parece improvável de alterar significativamente a política em 2026. A BCE manteve todas as três taxas principais inalteradas em dezembro, mantendo a taxa de depósito em 2,00%, a taxa de refinanciamento principal em 2,15% e a facilidade de empréstimo marginal em 2,40%. As declarações da presidente Christine Lagarde após a reunião sinalizaram satisfação com a postura atual, descrevendo a política como estando em um “bom lugar”—linguagem da BCE para “sem pressa para agir”.
A inflação apresenta um quadro misto que justifica a cautela da BCE. Dados do Eurostat mostram uma inflação de 2,2% ano a ano em novembro, acima do objetivo de 2,0% da BCE. Ainda mais preocupante é a composição: os preços de energia diminuíram, mas a inflação de serviços—o componente mais resistente que os bancos centrais monitoram de perto—subiu para 3,5%. Este é exatamente o tipo de pressão de preços que torna politicamente difícil realizar cortes de taxa.
No que diz respeito ao crescimento, a expansão da Zona Euro permanece tímida. As projeções de outono da Comissão Europeia indicam crescimento do PIB de 1,3% em 2025, caindo para 1,2% em 2026, e recuperando-se apenas modestamente para 1,4% em 2027. Dados do terceiro trimestre revelaram uma expansão trimestral de 0,2% para o bloco como um todo, com distribuição desigual: Espanha e França registraram 0,6% e 0,5%, respectivamente, enquanto Alemanha e Itália estagnaram. O setor automotivo da Alemanha—afetado pela transição para veículos elétricos e pressões na cadeia de abastecimento—registrou uma queda de 5% na produção.
A política comercial acrescenta outro obstáculo. A estrutura de tarifas recíprocas da administração Trump elevou a perspectiva de tarifas de 10%–20% sobre bens da UE. Estimativas iniciais sugerem que as exportações da UE para os EUA poderiam diminuir 3%, com automóveis e produtos químicos sofrendo o maior impacto. Esse choque na demanda externa poderia intensificar as preocupações de crescimento se se concretizar.
O consenso do mercado, refletido em uma pesquisa da Reuters, espera que a BCE mantenha as taxas até 2026 e até 2027, embora a confiança diminua drasticamente além desse período. Economistas como Christian Kopf (Union Investment) não veem movimento de curto prazo; se algo mudar, é mais provável no final de 2026 ou início de 2027, e uma alta ao invés de uma redução é a direção presumida se as condições justificarem.
A Diferença de Taxas se Amplia: O que o EUR/USD Faz a Seguir
A previsão do EUR/USD depende de um mecanismo simples: enquanto a Fed corta e a BCE mantém, o diferencial de rendimento EUA-Europa diminui. Historicamente, uma redução na diferença de taxas tem apoiado o euro. Mas os mercados cambiais negociam narrativas tanto quanto números, e o motivo pelo qual a diferença se move importa tanto quanto a magnitude.
Duas situações dominam o debate:
Cenário 1 – Europa Resiste: Se o crescimento da Zona Euro permanecer acima de 1,3% e a inflação subir lentamente, a BCE provavelmente manterá sua postura atual. A Fed continuará cortando em 2026. A diferença de rendimento diminui, apoiando o euro. Nesse cenário, o EUR/USD pode testar acima de 1.20.
Cenário 2 – Europa Despenca: Se o crescimento da Zona Euro decepcionar (caindo abaixo de 1.3%), e choques externos (tarifas, fricções comerciais) intensificarem a desaceleração, a BCE pode sentir-se compelida a afrouxar a política para apoiar a atividade. Isso inverteria a dinâmica: ao invés de uma redução na diferença de rendimento que apoia o euro, veríamos cortes diretos da BCE que enfraqueceriam a moeda. Nesse caso, o EUR/USD provavelmente recuaria para perto de 1.13, com 1.10 como alvo de baixa potencial se a queda acelerar.
As principais instituições oferecem previsões divergentes, refletindo diferentes suposições:
Visão Baixista da Citi: A Citi projeta o EUR/USD caindo para 1.10 em 2026, prevendo um fundo no terceiro trimestre próximo desse nível—cerca de 6% abaixo dos atuais 1.1650. A tese: o recuperação do crescimento dos EUA enquanto a Fed corta menos do que o mercado atualmente precifica, prolongando o período de força relativa do dólar.
Visão Otimista da UBS: A UBS Global Wealth Management (via EMEA CIO Themis Themistocleous) assume a posição inversa. Se a BCE permanecer em pausa enquanto a Fed realiza cortes substanciais, a diferença de rendimento realmente diminui, apoiando a valorização do euro. A UBS espera que o EUR/USD suba em direção a 1.20 até meados de 2026.
Implicações para a Previsão do Euro para CAD e na Dinâmica Cambial Mais Ampla
A trajetória do EUR/USD influenciará pares de moedas, incluindo euro para CAD. O dólar canadense, como moeda ligada a commodities, permanece sensível ao sentimento de risco e às expectativas de crescimento dos EUA. Um euro mais forte (no cenário de 1.20) provavelmente acompanhará uma maior apetência por risco, potencialmente enfraquecendo o dólar canadense. Por outro lado, um euro mais fraco (no cenário de 1.10) geralmente surge durante períodos de aversão ao risco, quando refúgios seguros como o dólar canadense podem se beneficiar.
Em 2026, a previsão do euro para CAD dependerá parcialmente de como o EUR/USD se comporta, mas também dos dados econômicos canadenses e do caminho da política do Banco do Canadá. Se o BoC também cortar enquanto a BCE mantém, o diferencial de carry positivo poderia apoiar o dólar canadense em relação ao euro, empurrando o par euro para CAD para baixo. Se o crescimento surpreender positivamente, reduzindo as expectativas de afrouxamento de ambos os bancos centrais, o par pode estabilizar ou subir.
A Conclusão
A trajetória do euro em 2026 é fundamentalmente uma aposta em duas coisas: se o crescimento europeu se mostrar suficientemente resiliente para manter a postura de pausa da BCE, e se o caminho de afrouxamento da Fed corresponder às expectativas do mercado. O diferencial de taxas fornece a estrutura mecânica, mas a história por trás dela importa mais. Se a narrativa for “Fed corta + BCE mantém + Europa se arrasta”, o EUR/USD tem espaço para valorizar até e além de 1.20. Se as manchetes forem “choques comerciais + decepção de crescimento + BCE pivoteando para afrouxar”, então 1.13 e 1.10 deixam de ser cenários de pior caso e passam a ser cenários-base.