No mercado de capitais, o universo das ações e seus diferentes formatos é essencial para quem deseja construir uma carteira diversificada. As ações constituem unidades de propriedade empresarial que permitem aos investidores participarem dos resultados financeiros e do crescimento corporativo. Contudo, não se trata de um universo uniforme—existem variações significativas, cada uma com suas próprias regras, direitos e mecanismos de proteção. Os principais tipos de ação (ordinária, preferencial e Units) representam estratégias distintas dentro do mercado acionário, exigindo do investidor uma compreensão clara antes de tomar decisões. Este guia percorrerá cada formato, seus mecanismos operacionais, vantagens e riscos, fornecendo ferramentas práticas para alinhar suas escolhas ao perfil de investimento pessoal.
O Conceito Fundamental: O Que São Ações e Por Que Importam
Ações funcionam como certificados de propriedade parcial em uma organização. Quando você adquire ações de determinada empresa, você se torna acionista, possuindo uma fração dessa corporação. As organizações lançam ações no mercado como mecanismo de captação de recursos financeiros, viabilizando projetos de expansão, pesquisa tecnológica, modernização operacional e outras iniciativas estratégicas.
A relevância das ações no contexto de investimentos é inquestionável. Elas representam um dos principais instrumentos através dos quais empresas mobilizam capital junto ao mercado. Do lado do investidor, as ações oferecem oportunidade de participação direta nos lucros corporativos. Quando uma empresa prospera, o valor de suas ações tende a aumentar, gerando ganhos para os proprietários. Muitas corporações, além disso, distribuem parcelas de seus resultados anuais como dividendos aos acionistas, constituindo uma fonte adicional de remuneração.
A propriedade acionária se diferencia substancialmente de outros ativos financeiros em três dimensões principais: direitos conferidos, perfil de risco e formas de retorno. Enquanto acionistas possuem direito de voto em assembleias e participam das decisões corporativas, detentores de títulos ou debêntures carecem desse poder deliberativo. Em termos de retorno, as ações caracterizam-se como investimentos de renda variável—seus ganhos flutuam conforme movimentações de mercado, podendo gerar tanto lucros expressivos quanto prejuízos. Títulos de renda fixa, por contraste, oferecem retornos predeterminados com risco consideravelmente menor. Quanto aos proventos, acionistas recebem dividendos conforme a política de distribuição da empresa, enquanto investidores em renda fixa obtêm juros periódicos previamente acordados. A liquidez também varia: ações em bolsas de valores possuem negociabilidade dependente de oferta e demanda, enquanto alguns ativos de renda fixa podem apresentar dificuldades para conversão rápida em dinheiro.
Ações Ordinárias: Poder de Decisão e Influência Corporativa
As ações ordinárias (ON) representam a forma clássica de participação acionária, conferindo ao seu titular direito de voto nas assembleias gerais da organização. Elas constituem a representação fundamental do capital social empresarial, permitindo que acionistas ordinários participem ativamente das deliberações estratégicas da companhia.
No mercado brasileiro, a identificação das ações ordinárias segue padrão específico: adicionam-se a letra “3” ao final do código de negociação (ticker) na bolsa de valores. Petrobras (PETR3) e Vale (VALE3) exemplificam essa nomenclatura.
Os direitos associados à propriedade de ações ordinárias incluem: Direito de Voto em Assembleias—principal característica, permitindo influência nas decisões empresariais, com poder proporcional à quantidade de ações possuídas; Recebimento de Dividendos—participação nos lucros distribuídos pela empresa, assim como qualquer outra modalidade acionária; Direito de Subscrição—preferência na aquisição de novas ações emitidas, mantendo a proporção de participação acionária; Bonificações—recebimento de novas ações como forma de remuneração adicional, em proporções definidas pela empresa.
Os investidores que optam por ações ordinárias equilibram vantagens e desvantagens específicas. Como benefícios, destacam-se a participação ativa nas decisões corporativas (embora seja necessário volume considerável de ações para exercer influência significativa) e o potencial de valorização caso a empresa apresente crescimento robusto. As limitações incluem exposição às oscilações e volatilidade de mercado, com possibilidade de perdas patrimoniais, além de dividendos variáveis que dependem do desempenho organizacional, diferentemente de ativos de renda fixa que garantem retornos periódicos.
Empresas de capital aberto brasileiras que negociam ações ordinárias incluem: Itaú Unibanco (ITUB3), maior banco privado do país; Santander Brasil (SANB3); Bradesco (BBDC3), instituição financeira de relevância nacional.
Ações Preferenciais: Prioridade Financeira Versus Ausência de Voto
As ações preferenciais (PN) funcionam sob lógica distinta das ordinárias. Seus titulares geralmente não possuem direito de voto nas assembleias corporativas, ou o exercem de forma restrita. O termo “preferencial” origina-se justamente do tratamento prioritário que conferem em questões financeiras.
Na bolsa brasileira, ações preferenciais identificam-se pelo código “4” (ou ocasionalmente “5”) anexado ao ticker de negociação. Petrobras (PETR4) e Bradesco (BBDC4) exemplificam esse formato.
A característica distintiva das preferenciais reside na preferência no recebimento de dividendos. Em muitos casos, o estatuto corporativo estabelece percentuais mínimos ou fixos de dividendos destinados aos detentores de PN, frequentemente superiores aos oferecidos aos ordinários. Banco Santander Brasil exemplifica: distribui sistematicamente 10% de dividendos adicionais para ações preferenciais (SANB4) comparado às ordinárias (SANB3).
Os direitos específicos associados a ações preferenciais compreendem: Prioridade Financeira—garantia de recebimento de dividendos mesmo em cenários de escassez de distribuição; Preferência em Liquidação—prioridade no reembolso de capital caso a empresa seja encerrada; Direito de Voto Condicionado—exercício de voto apenas em situações específicas definidas no estatuto; Direito de Subscrição—participação na aquisição de novas emissões acionárias; Bonificações—recebimento de novas ações conforme política corporativa.
As vantagens do investimento preferencial incluem maior segurança no fluxo de dividendos (por meio da prioridade estabelecida) e, frequentemente, maior liquidez no mercado secundário comparado às ordinárias. Como desvantagens, identifica-se a ausência de voto (significativa apenas para acionistas com participações relevantes) e a perda de influência decisória corporativa.
Exemplos de empresas que negociam preferenciais: Gerdau (GGBR4), siderúrgica de relevância regional; Vale (VALE5); Klabin (KLBN4), setor de papel e celulose.
Units: Pacotes Híbridos que Combinam Características
Units representam certificados de depósito que agrupam múltiplas classes de ações em uma estrutura única. Tipicamente, uma Unit compõe-se de uma ação ordinária acrescida de determinada quantidade de ações preferenciais da mesma empresa emissora.
O adquirente de uma Unit obtém, em transação única, exposição simultânea aos dois formatos acionários. Isso significa que o investidor acumula tanto direitos de voto (provenientes das ON) quanto prioridade de dividendos e proteção de capital (originários das PN).
A composição específica de Units varia conforme definição da empresa. Santander Brasil (SANB11) estrutura suas Units como combinação de 1 ação ordinária mais 4 ações preferenciais. Klabin (KLBN11) segue padrão similar: 1 ordinária + 4 preferenciais. Sanepar (SAPR11) adota idêntica proporção.
Os benefícios de investir em Units em vez de ações separadas incluem: Simplificação Operacional—aquisição de diversificação através de transação única, sem necessidade de múltiplas operações individuais; Liquidez Potencialmente Superior—em empresas onde ações ordinárias apresentam baixíssima negociação, Units oferecem alternativa mais viável; Acesso Combinado—captura simultânea de benefícios de ambos os formatos acionários sem necessidade de gerenciamento separado.
As desvantagens centram-se na inflexibilidade estrutural—investidor não escolhe proporções, aceitando composição definida pela empresa—e possíveis custos de conversão caso deseje desmembrar a Unit em ações individuais posteriormente.
Comparação Prática: Orientações para Seleção
A escolha entre os três formatos acionários depende do perfil individual do investidor, horizonte temporal de investimento e objetivos financeiros.
Ações Ordinárias mostram-se adequadas para investidores que desejam influência ativa nas decisões corporativas, possuem disposição de assumir volatilidade de mercado e buscam potencial de valorização a longo prazo. Convêm especialmente a acionistas com participações significativas.
Ações Preferenciais direcionam-se a investidores prioritários em recebimento regular de proventos, com menor interesse em voto corporativo. Adequam-se particularmente a estratégias de renda passiva e perfis mais conservadores.
Units servem investidores buscando balanceamento entre poder deliberativo e segurança de dividendos, além daqueles em empresas com liquidez reduzida de ordinárias.
Em termos de liquidez de mercado, preferenciais e Units tipicamente apresentam negociação superior às ordinárias, facilitando entrada e saída de posições.
Tag Along: Mecanismo de Proteção para Acionistas Minoritários
Independentemente da modalidade acionária escolhida, compreender o direito de Tag Along é fundamental para mitigação de riscos.
O Tag Along funciona como escudo protetor para acionistas minoritários quando ocorre venda do controle acionário corporativo. Este direito permite que minoritários acompanhem a transação nas mesmas condições (preço e termos idênticos) negociados com acionistas controladores.
Cenário prático: suponha que você possua participação minoritária em empresa. Um potencial comprador oferece preço específico aos acionistas controladores. O direito de Tag Along garante que você possa, opcionalmente, vender suas ações pelo mesmo valor, evitando ficar exposto a nova administração que possa divergir de seus critérios de investimento ou fundamentos que justificaram a entrada inicial.
Entretanto, a cobertura de Tag Along não é universal. Empresa de transmissão de energia Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (TRPL3) exemplifica essa variação: oferece 80% de Tag Along para ações ordinárias, mas 0% para preferenciais. Acionistas ordinários receberiam apenas 80% do preço de compra em situação de venda de controle, enquanto detentores de preferenciais permaneceriam completamente desprotegidos.
Essa informação sublinha a importância de investigar detalhes do estatuto social antes de investir, evitando exposições injustas.
Os tipos de ações—ordinária, preferencial e Units—constituem pilares distintos do mercado acionário brasileiro, cada qual oferecendo perfil específico de direitos, riscos e retornos. Embora todas provenham da mesma empresa emissora, suas características operacionais diferenciam-se substancialmente.
Ações ordinárias fornecem poder deliberativo mas expõem a maior volatilidade. Preferenciais garantem prioridade financeira ao custo de participação limitada. Units mesclam esses elementos em proporções pré-estabelecidas, oferecendo conveniência operacional.
A decisão entre modalidades deve considerar profundamente seu horizonte de investimento, apetite por risco, objetivos de retorno e, criticamente, compreensão das proteções estatutárias como Tag Along. Investidores que dedicam tempo ao estudo detalhado das características acionárias, exemplos práticos de cada empresa e mecanismos de proteção disponíveis posicionam-se significativamente melhor para construir carteiras alinhadas aos objetivos pessoais, maximizando potencial de crescimento patrimonial sustentável.
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Entendendo os Principais Tipos de Ação: ON, PN e Units para Seus Investimentos
No mercado de capitais, o universo das ações e seus diferentes formatos é essencial para quem deseja construir uma carteira diversificada. As ações constituem unidades de propriedade empresarial que permitem aos investidores participarem dos resultados financeiros e do crescimento corporativo. Contudo, não se trata de um universo uniforme—existem variações significativas, cada uma com suas próprias regras, direitos e mecanismos de proteção. Os principais tipos de ação (ordinária, preferencial e Units) representam estratégias distintas dentro do mercado acionário, exigindo do investidor uma compreensão clara antes de tomar decisões. Este guia percorrerá cada formato, seus mecanismos operacionais, vantagens e riscos, fornecendo ferramentas práticas para alinhar suas escolhas ao perfil de investimento pessoal.
O Conceito Fundamental: O Que São Ações e Por Que Importam
Ações funcionam como certificados de propriedade parcial em uma organização. Quando você adquire ações de determinada empresa, você se torna acionista, possuindo uma fração dessa corporação. As organizações lançam ações no mercado como mecanismo de captação de recursos financeiros, viabilizando projetos de expansão, pesquisa tecnológica, modernização operacional e outras iniciativas estratégicas.
A relevância das ações no contexto de investimentos é inquestionável. Elas representam um dos principais instrumentos através dos quais empresas mobilizam capital junto ao mercado. Do lado do investidor, as ações oferecem oportunidade de participação direta nos lucros corporativos. Quando uma empresa prospera, o valor de suas ações tende a aumentar, gerando ganhos para os proprietários. Muitas corporações, além disso, distribuem parcelas de seus resultados anuais como dividendos aos acionistas, constituindo uma fonte adicional de remuneração.
A propriedade acionária se diferencia substancialmente de outros ativos financeiros em três dimensões principais: direitos conferidos, perfil de risco e formas de retorno. Enquanto acionistas possuem direito de voto em assembleias e participam das decisões corporativas, detentores de títulos ou debêntures carecem desse poder deliberativo. Em termos de retorno, as ações caracterizam-se como investimentos de renda variável—seus ganhos flutuam conforme movimentações de mercado, podendo gerar tanto lucros expressivos quanto prejuízos. Títulos de renda fixa, por contraste, oferecem retornos predeterminados com risco consideravelmente menor. Quanto aos proventos, acionistas recebem dividendos conforme a política de distribuição da empresa, enquanto investidores em renda fixa obtêm juros periódicos previamente acordados. A liquidez também varia: ações em bolsas de valores possuem negociabilidade dependente de oferta e demanda, enquanto alguns ativos de renda fixa podem apresentar dificuldades para conversão rápida em dinheiro.
Ações Ordinárias: Poder de Decisão e Influência Corporativa
As ações ordinárias (ON) representam a forma clássica de participação acionária, conferindo ao seu titular direito de voto nas assembleias gerais da organização. Elas constituem a representação fundamental do capital social empresarial, permitindo que acionistas ordinários participem ativamente das deliberações estratégicas da companhia.
No mercado brasileiro, a identificação das ações ordinárias segue padrão específico: adicionam-se a letra “3” ao final do código de negociação (ticker) na bolsa de valores. Petrobras (PETR3) e Vale (VALE3) exemplificam essa nomenclatura.
Os direitos associados à propriedade de ações ordinárias incluem: Direito de Voto em Assembleias—principal característica, permitindo influência nas decisões empresariais, com poder proporcional à quantidade de ações possuídas; Recebimento de Dividendos—participação nos lucros distribuídos pela empresa, assim como qualquer outra modalidade acionária; Direito de Subscrição—preferência na aquisição de novas ações emitidas, mantendo a proporção de participação acionária; Bonificações—recebimento de novas ações como forma de remuneração adicional, em proporções definidas pela empresa.
Os investidores que optam por ações ordinárias equilibram vantagens e desvantagens específicas. Como benefícios, destacam-se a participação ativa nas decisões corporativas (embora seja necessário volume considerável de ações para exercer influência significativa) e o potencial de valorização caso a empresa apresente crescimento robusto. As limitações incluem exposição às oscilações e volatilidade de mercado, com possibilidade de perdas patrimoniais, além de dividendos variáveis que dependem do desempenho organizacional, diferentemente de ativos de renda fixa que garantem retornos periódicos.
Empresas de capital aberto brasileiras que negociam ações ordinárias incluem: Itaú Unibanco (ITUB3), maior banco privado do país; Santander Brasil (SANB3); Bradesco (BBDC3), instituição financeira de relevância nacional.
Ações Preferenciais: Prioridade Financeira Versus Ausência de Voto
As ações preferenciais (PN) funcionam sob lógica distinta das ordinárias. Seus titulares geralmente não possuem direito de voto nas assembleias corporativas, ou o exercem de forma restrita. O termo “preferencial” origina-se justamente do tratamento prioritário que conferem em questões financeiras.
Na bolsa brasileira, ações preferenciais identificam-se pelo código “4” (ou ocasionalmente “5”) anexado ao ticker de negociação. Petrobras (PETR4) e Bradesco (BBDC4) exemplificam esse formato.
A característica distintiva das preferenciais reside na preferência no recebimento de dividendos. Em muitos casos, o estatuto corporativo estabelece percentuais mínimos ou fixos de dividendos destinados aos detentores de PN, frequentemente superiores aos oferecidos aos ordinários. Banco Santander Brasil exemplifica: distribui sistematicamente 10% de dividendos adicionais para ações preferenciais (SANB4) comparado às ordinárias (SANB3).
Os direitos específicos associados a ações preferenciais compreendem: Prioridade Financeira—garantia de recebimento de dividendos mesmo em cenários de escassez de distribuição; Preferência em Liquidação—prioridade no reembolso de capital caso a empresa seja encerrada; Direito de Voto Condicionado—exercício de voto apenas em situações específicas definidas no estatuto; Direito de Subscrição—participação na aquisição de novas emissões acionárias; Bonificações—recebimento de novas ações conforme política corporativa.
As vantagens do investimento preferencial incluem maior segurança no fluxo de dividendos (por meio da prioridade estabelecida) e, frequentemente, maior liquidez no mercado secundário comparado às ordinárias. Como desvantagens, identifica-se a ausência de voto (significativa apenas para acionistas com participações relevantes) e a perda de influência decisória corporativa.
Exemplos de empresas que negociam preferenciais: Gerdau (GGBR4), siderúrgica de relevância regional; Vale (VALE5); Klabin (KLBN4), setor de papel e celulose.
Units: Pacotes Híbridos que Combinam Características
Units representam certificados de depósito que agrupam múltiplas classes de ações em uma estrutura única. Tipicamente, uma Unit compõe-se de uma ação ordinária acrescida de determinada quantidade de ações preferenciais da mesma empresa emissora.
O adquirente de uma Unit obtém, em transação única, exposição simultânea aos dois formatos acionários. Isso significa que o investidor acumula tanto direitos de voto (provenientes das ON) quanto prioridade de dividendos e proteção de capital (originários das PN).
A composição específica de Units varia conforme definição da empresa. Santander Brasil (SANB11) estrutura suas Units como combinação de 1 ação ordinária mais 4 ações preferenciais. Klabin (KLBN11) segue padrão similar: 1 ordinária + 4 preferenciais. Sanepar (SAPR11) adota idêntica proporção.
Os benefícios de investir em Units em vez de ações separadas incluem: Simplificação Operacional—aquisição de diversificação através de transação única, sem necessidade de múltiplas operações individuais; Liquidez Potencialmente Superior—em empresas onde ações ordinárias apresentam baixíssima negociação, Units oferecem alternativa mais viável; Acesso Combinado—captura simultânea de benefícios de ambos os formatos acionários sem necessidade de gerenciamento separado.
As desvantagens centram-se na inflexibilidade estrutural—investidor não escolhe proporções, aceitando composição definida pela empresa—e possíveis custos de conversão caso deseje desmembrar a Unit em ações individuais posteriormente.
Comparação Prática: Orientações para Seleção
A escolha entre os três formatos acionários depende do perfil individual do investidor, horizonte temporal de investimento e objetivos financeiros.
Ações Ordinárias mostram-se adequadas para investidores que desejam influência ativa nas decisões corporativas, possuem disposição de assumir volatilidade de mercado e buscam potencial de valorização a longo prazo. Convêm especialmente a acionistas com participações significativas.
Ações Preferenciais direcionam-se a investidores prioritários em recebimento regular de proventos, com menor interesse em voto corporativo. Adequam-se particularmente a estratégias de renda passiva e perfis mais conservadores.
Units servem investidores buscando balanceamento entre poder deliberativo e segurança de dividendos, além daqueles em empresas com liquidez reduzida de ordinárias.
Em termos de liquidez de mercado, preferenciais e Units tipicamente apresentam negociação superior às ordinárias, facilitando entrada e saída de posições.
Tag Along: Mecanismo de Proteção para Acionistas Minoritários
Independentemente da modalidade acionária escolhida, compreender o direito de Tag Along é fundamental para mitigação de riscos.
O Tag Along funciona como escudo protetor para acionistas minoritários quando ocorre venda do controle acionário corporativo. Este direito permite que minoritários acompanhem a transação nas mesmas condições (preço e termos idênticos) negociados com acionistas controladores.
Cenário prático: suponha que você possua participação minoritária em empresa. Um potencial comprador oferece preço específico aos acionistas controladores. O direito de Tag Along garante que você possa, opcionalmente, vender suas ações pelo mesmo valor, evitando ficar exposto a nova administração que possa divergir de seus critérios de investimento ou fundamentos que justificaram a entrada inicial.
Entretanto, a cobertura de Tag Along não é universal. Empresa de transmissão de energia Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (TRPL3) exemplifica essa variação: oferece 80% de Tag Along para ações ordinárias, mas 0% para preferenciais. Acionistas ordinários receberiam apenas 80% do preço de compra em situação de venda de controle, enquanto detentores de preferenciais permaneceriam completamente desprotegidos.
Essa informação sublinha a importância de investigar detalhes do estatuto social antes de investir, evitando exposições injustas.
Conclusão: Construindo Estratégia Acionária Fundamentada
Os tipos de ações—ordinária, preferencial e Units—constituem pilares distintos do mercado acionário brasileiro, cada qual oferecendo perfil específico de direitos, riscos e retornos. Embora todas provenham da mesma empresa emissora, suas características operacionais diferenciam-se substancialmente.
Ações ordinárias fornecem poder deliberativo mas expõem a maior volatilidade. Preferenciais garantem prioridade financeira ao custo de participação limitada. Units mesclam esses elementos em proporções pré-estabelecidas, oferecendo conveniência operacional.
A decisão entre modalidades deve considerar profundamente seu horizonte de investimento, apetite por risco, objetivos de retorno e, criticamente, compreensão das proteções estatutárias como Tag Along. Investidores que dedicam tempo ao estudo detalhado das características acionárias, exemplos práticos de cada empresa e mecanismos de proteção disponíveis posicionam-se significativamente melhor para construir carteiras alinhadas aos objetivos pessoais, maximizando potencial de crescimento patrimonial sustentável.