Seis dos maiores bancos estatais lançaram recentemente um anúncio que silenciosamente desencadeou uma mudança importante na moeda digital do RMB. A partir de 1 de janeiro de 2026, o saldo das carteiras digitais do RMB real nomeadas nesses bancos passará a receber juros com base na taxa de depósito a prazo variável. Parece simples, mas por trás disso esconde uma profunda reestruturação das propriedades monetárias, do enquadramento legal e do sistema de contas bancárias.
De “dinheiro” a “dívida”: a mudança de identidade de uma conta
A dúvida mais comum inicialmente é compreensível: O RMB digital não é apenas uma versão digital do dinheiro em espécie? O dinheiro em espécie nunca paga juros, por que agora passaria a pagar?
Por trás dessa questão está uma mudança fundamental. Quando os bancos começam a pagar juros sobre o saldo das carteiras, esse dinheiro deixa de ser apenas “dinheiro em espécie” sob a ótica legal e contábil, e passa a ser uma “depósito” — mais precisamente, uma obrigação do banco em relação a você.
No “White Paper” de 2021 sobre o progresso do desenvolvimento do RMB digital, o Banco Popular da China deixou claro o posicionamento do RMB digital: “Manter a classificação M0, sem pagamento de juros”. Essa não é uma expressão aleatória, mas um princípio central. M0 refere-se ao dinheiro em circulação, e o design inicial do RMB digital foi justamente para substituir o dinheiro em espécie, não os depósitos bancários.
Porém, quando uma carteira real nomeada é incluída na gestão de depósitos e passa a receber juros, a propriedade estatística dessa parte de fundos muda silenciosamente — ela transita de M0 (dinheiro em espécie) para M1 (depósitos à vista). Isso significa que parte do RMB digital está entrando no balanço de ativos e passivos do banco.
No quadro legal: “três documentos principais”
Para entender o que essa mudança implica, é preciso analisar três documentos essenciais:
Primeiro: 《Lei do Banco Popular da China (Projeto de Revisão em Consulta)》 (outubro de 2020) esclarece que o RMB digital é moeda legal, pertencente à categoria do Renminbi. Essa identidade é fundamental.
Segundo: 《Regulamento de Seguro de Depósitos》 (em vigor desde 2015) estipula que, para um mesmo depositante, a soma do principal e juros de todas as contas de depósito seguradas em um banco é limitada a 50 mil yuan. Essa cláusula, que parece técnica, determina se seu dinheiro pode ser protegido pelo “Seguro de Depósitos”. Dinheiro em espécie não é coberto por esse seguro, mas se sua carteira de RMB digital for tratada como depósito pelo banco, essa parte do fundo entra na proteção.
Terceiro: 《Lei de Combate à Lavagem de Dinheiro》《Lei de Proteção de Informações Pessoais》 e outros marcos regulatórios estabelecem que, sob o princípio de “anonimato controlado”, quando o fluxo de fundos atingir certa escala ou frequência, será necessário cumprir procedimentos de KYC (Conheça Seu Cliente) e auditoria de transações. Carteiras com forte autenticação real são justamente para atender a esses requisitos.
Esses três documentos delineiam um quadro legal completo: quando o saldo da carteira do RMB digital passa a pagar juros, ela deixa de ser “dinheiro em espécie emitido pelo banco central” e passa a ser uma “dívida de depósito gerenciada pelo banco”.
Níveis de carteiras: detalhes que definem propriedades
A sutileza do RMB digital está no seu design de “operações em camadas”. Diferentes níveis de autenticação nas carteiras oferecem tratamentos bastante distintos:
Carteira Classe I (autenticação mais forte): exige assinatura presencial na agência bancária, verificação de identidade e vinculação à conta própria. Essa carteira não tem limite de valor e é a de maior “poder”. É mais facilmente tratada pelos bancos como ativo de cliente de alto valor, com maior probabilidade de receber juros.
Carteira Classe II (autenticação forte): pode ser aberta online, requer reconhecimento facial e vinculação à conta bancária própria. Possui limites diários de transação, atendendo às necessidades de pagamentos de grandes valores no cotidiano. Também pode estar sujeita a pagamento de juros.
Carteira Classe III (autenticação básica): apenas com número de telefone + documento de identidade, sem necessidade de vinculação bancária. Limites de saldo e valor mais baixos, voltada principalmente para pequenas transações de varejo. Essa carteira é mais próxima de uma “cartão de dinheiro” e tem menor probabilidade de receber juros.
Carteira Classe IV (autenticação fraca/anônima): apenas com número de telefone, podendo suportar números estrangeiros e vinculação a cartões externos. É uma “carteira de turista”, com limites de saldo e valor mínimos. Como ferramenta quase de dinheiro em espécie, dificilmente será sujeita a juros pelos bancos.
Uma regra simples é: quanto mais forte a autenticação, maior a chance de estar profundamente vinculada a uma conta bancária e de ser tratada como “depósito”; quanto mais fraca, mais ela mantém as características de “dinheiro digital”, afastando-se do pagamento de juros.
O “negócio” dos bancos: passivo e ativo
Para entender por que os bancos querem promover esse arranjo de pagamento de juros, é preciso partir da lógica do seu balanço.
Quando um cliente deposita dinheiro, o banco tem uma “dívida de depósito”. Para compensar o custo dessa dívida, o banco oferece empréstimos, compra títulos, realiza investimentos na ponta do ativo, lucrando com a diferença de juros. Se a taxa de reserva obrigatória é 10%, teoricamente, a cada 100 yuan depositados, o banco pode emprestar cerca de 1000 yuan (esse é o mecanismo do “multiplicador monetário”).
Agora, ao pagar juros sobre o saldo das carteiras reais nomeadas, o banco obtém uma nova fonte de passivo de baixo custo. Esses fundos, embora originados do sistema de RMB digital, ao serem consolidados como “depósitos à vista”, permitem ao banco aplicar mais empréstimos e investimentos na ponta do ativo, seguindo a lógica tradicional. Em uma escala macro, isso pode alterar a proporção de M1 e M2 na estatística monetária.
Uma nova janela para pagamentos transfronteiriços
Essa mudança também traz uma dimensão muitas vezes negligenciada: ela oferece uma solução de pagamento mais amigável para turistas estrangeiros.
Carteiras de turistas Classe IV suportam registro com número estrangeiro e vinculação a cartões Visa, Mastercard, etc. Um turista vindo à China pode, ao desembarcar, abrir uma carteira no app do RMB digital usando apenas o passaporte e o cartão externo, sem precisar abrir conta local. Depois, pode fazer pagamentos por QR code ou “toque” em lojas, restaurantes, atrações turísticas. Mesmo em cenários sem conexão à internet (como alguns parques ou metrôs), o pagamento offline duplo funciona.
Esse design resolve um problema antigo de pagamento para turistas estrangeiros e também envia um sinal sutil de internacionalização do RMB, especialmente na sua forma digital.
Alguns detalhes que precisam de esclarecimento
Se você já possui ou pretende adquirir uma carteira de RMB digital, esses detalhes são importantes:
Seu tipo de carteira: verifique no app se é Classe I, II, III ou IV. A força da autenticação varia, e os direitos e obrigações também.
Se ela paga juros e qual a taxa: diferentes bancos e tipos de carteira podem ter políticas distintas. As taxas de juros de depósitos à vista também variam, não suponha que sejam fixas.
Se ela é coberta pelo seguro de depósitos: se sua carteira for tratada como depósito pelo banco, até 50 mil yuan estão protegidos pelo seguro; valores acima dependem da garantia do banco central. Se ela continuar sendo gerida como dinheiro digital, a segurança vem do status de moeda legal.
Custos e limites: transferências interbancárias, saques, transferências entre carteiras, taxas cobradas variam. Leia atentamente os contratos de serviço, não adivinhe.
Privacidade e limites de conformidade: transações diárias pequenas priorizam privacidade, mas transações grandes ou frequentes entram em processos de combate à lavagem de dinheiro. Essa é uma parte do desenho do sistema, não há motivo para exagerar.
A lógica subjacente não mudou
Por fim, é importante esclarecer: a mudança de pagamento de juros não significa uma mudança radical na posição do RMB digital.
Ele continua sendo uma moeda digital de classificação M0, emitida pelo banco central, com sistema de operação de duas camadas. A alteração ocorre apenas em carteiras específicas (principalmente as de autenticação forte), permitindo que os bancos adotem uma gestão de “depósito” de forma diferenciada, uma operação diferenciada, não uma mudança total.
Essa abordagem de “camadas coexistentes” tem efeitos práticos:
Para o usuário, a experiência da conta se aproxima mais de uma conta bancária tradicional, com incentivo de juros e maior motivação para manter fundos.
Para o banco, há uma fonte de passivo de baixo custo e relativamente estável, melhorando a capacidade de aplicar ativos.
Para a estatística macroeconômica, parte do que antes era M0 passa a integrar M1, ajustando a estrutura monetária.
Porém, isso não significa que todo RMB digital se torne “depósito”; trata-se de uma relação de depósito que se forma em cenários específicos. Limites e detalhes são essenciais.
Recomendações ao público
Se você pretende aproveitar ao máximo o RMB digital, considere estas dicas práticas:
Identifique seu tipo de carteira: verifique no app qual é (Classe I, II, III ou IV). A força da autenticação influencia direitos e obrigações.
Compare as políticas de juros dos bancos: embora todos sigam a taxa de depósito à vista, detalhes de implementação podem variar.
Avalie o equilíbrio entre privacidade e conveniência: se valoriza privacidade, opte por Carteira Classe III ou IV; se busca maior rendimento e funcionalidades, as Classes I e II são melhores.
Guarde os anúncios oficiais e contratos: regulamentos e políticas bancárias estão em constante mudança; documentos oficiais são a fonte mais confiável.
Tenha uma visão realista dos rendimentos: os juros de depósitos à vista são baixos, não espere ganhos expressivos com juros do RMB digital.
Em resumo, a implementação do “projeto de pagamento de juros” marca uma evolução na operação do RMB digital, de uma abordagem uniforme para uma operação em camadas diferenciadas. Não é uma revolução, mas uma evolução. Sob a premissa de “segurança, confiabilidade e estabilidade”, o RMB digital busca explorar como se integra melhor ao cotidiano, apoiar pagamentos transfronteiriços, otimizar o sistema bancário, ao mesmo tempo em que mantém a estabilidade financeira e o controle de riscos. Compreender esse delicado equilíbrio é mais importante do que simplesmente buscar juros.
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Projeto de lei sobre juros de carteiras reais digitais do RMB implementado: da "dinheiro em espécie" para a "depósito" uma mudança sutil
Seis dos maiores bancos estatais lançaram recentemente um anúncio que silenciosamente desencadeou uma mudança importante na moeda digital do RMB. A partir de 1 de janeiro de 2026, o saldo das carteiras digitais do RMB real nomeadas nesses bancos passará a receber juros com base na taxa de depósito a prazo variável. Parece simples, mas por trás disso esconde uma profunda reestruturação das propriedades monetárias, do enquadramento legal e do sistema de contas bancárias.
De “dinheiro” a “dívida”: a mudança de identidade de uma conta
A dúvida mais comum inicialmente é compreensível: O RMB digital não é apenas uma versão digital do dinheiro em espécie? O dinheiro em espécie nunca paga juros, por que agora passaria a pagar?
Por trás dessa questão está uma mudança fundamental. Quando os bancos começam a pagar juros sobre o saldo das carteiras, esse dinheiro deixa de ser apenas “dinheiro em espécie” sob a ótica legal e contábil, e passa a ser uma “depósito” — mais precisamente, uma obrigação do banco em relação a você.
No “White Paper” de 2021 sobre o progresso do desenvolvimento do RMB digital, o Banco Popular da China deixou claro o posicionamento do RMB digital: “Manter a classificação M0, sem pagamento de juros”. Essa não é uma expressão aleatória, mas um princípio central. M0 refere-se ao dinheiro em circulação, e o design inicial do RMB digital foi justamente para substituir o dinheiro em espécie, não os depósitos bancários.
Porém, quando uma carteira real nomeada é incluída na gestão de depósitos e passa a receber juros, a propriedade estatística dessa parte de fundos muda silenciosamente — ela transita de M0 (dinheiro em espécie) para M1 (depósitos à vista). Isso significa que parte do RMB digital está entrando no balanço de ativos e passivos do banco.
No quadro legal: “três documentos principais”
Para entender o que essa mudança implica, é preciso analisar três documentos essenciais:
Primeiro: 《Lei do Banco Popular da China (Projeto de Revisão em Consulta)》 (outubro de 2020) esclarece que o RMB digital é moeda legal, pertencente à categoria do Renminbi. Essa identidade é fundamental.
Segundo: 《Regulamento de Seguro de Depósitos》 (em vigor desde 2015) estipula que, para um mesmo depositante, a soma do principal e juros de todas as contas de depósito seguradas em um banco é limitada a 50 mil yuan. Essa cláusula, que parece técnica, determina se seu dinheiro pode ser protegido pelo “Seguro de Depósitos”. Dinheiro em espécie não é coberto por esse seguro, mas se sua carteira de RMB digital for tratada como depósito pelo banco, essa parte do fundo entra na proteção.
Terceiro: 《Lei de Combate à Lavagem de Dinheiro》《Lei de Proteção de Informações Pessoais》 e outros marcos regulatórios estabelecem que, sob o princípio de “anonimato controlado”, quando o fluxo de fundos atingir certa escala ou frequência, será necessário cumprir procedimentos de KYC (Conheça Seu Cliente) e auditoria de transações. Carteiras com forte autenticação real são justamente para atender a esses requisitos.
Esses três documentos delineiam um quadro legal completo: quando o saldo da carteira do RMB digital passa a pagar juros, ela deixa de ser “dinheiro em espécie emitido pelo banco central” e passa a ser uma “dívida de depósito gerenciada pelo banco”.
Níveis de carteiras: detalhes que definem propriedades
A sutileza do RMB digital está no seu design de “operações em camadas”. Diferentes níveis de autenticação nas carteiras oferecem tratamentos bastante distintos:
Carteira Classe I (autenticação mais forte): exige assinatura presencial na agência bancária, verificação de identidade e vinculação à conta própria. Essa carteira não tem limite de valor e é a de maior “poder”. É mais facilmente tratada pelos bancos como ativo de cliente de alto valor, com maior probabilidade de receber juros.
Carteira Classe II (autenticação forte): pode ser aberta online, requer reconhecimento facial e vinculação à conta bancária própria. Possui limites diários de transação, atendendo às necessidades de pagamentos de grandes valores no cotidiano. Também pode estar sujeita a pagamento de juros.
Carteira Classe III (autenticação básica): apenas com número de telefone + documento de identidade, sem necessidade de vinculação bancária. Limites de saldo e valor mais baixos, voltada principalmente para pequenas transações de varejo. Essa carteira é mais próxima de uma “cartão de dinheiro” e tem menor probabilidade de receber juros.
Carteira Classe IV (autenticação fraca/anônima): apenas com número de telefone, podendo suportar números estrangeiros e vinculação a cartões externos. É uma “carteira de turista”, com limites de saldo e valor mínimos. Como ferramenta quase de dinheiro em espécie, dificilmente será sujeita a juros pelos bancos.
Uma regra simples é: quanto mais forte a autenticação, maior a chance de estar profundamente vinculada a uma conta bancária e de ser tratada como “depósito”; quanto mais fraca, mais ela mantém as características de “dinheiro digital”, afastando-se do pagamento de juros.
O “negócio” dos bancos: passivo e ativo
Para entender por que os bancos querem promover esse arranjo de pagamento de juros, é preciso partir da lógica do seu balanço.
Quando um cliente deposita dinheiro, o banco tem uma “dívida de depósito”. Para compensar o custo dessa dívida, o banco oferece empréstimos, compra títulos, realiza investimentos na ponta do ativo, lucrando com a diferença de juros. Se a taxa de reserva obrigatória é 10%, teoricamente, a cada 100 yuan depositados, o banco pode emprestar cerca de 1000 yuan (esse é o mecanismo do “multiplicador monetário”).
Agora, ao pagar juros sobre o saldo das carteiras reais nomeadas, o banco obtém uma nova fonte de passivo de baixo custo. Esses fundos, embora originados do sistema de RMB digital, ao serem consolidados como “depósitos à vista”, permitem ao banco aplicar mais empréstimos e investimentos na ponta do ativo, seguindo a lógica tradicional. Em uma escala macro, isso pode alterar a proporção de M1 e M2 na estatística monetária.
Uma nova janela para pagamentos transfronteiriços
Essa mudança também traz uma dimensão muitas vezes negligenciada: ela oferece uma solução de pagamento mais amigável para turistas estrangeiros.
Carteiras de turistas Classe IV suportam registro com número estrangeiro e vinculação a cartões Visa, Mastercard, etc. Um turista vindo à China pode, ao desembarcar, abrir uma carteira no app do RMB digital usando apenas o passaporte e o cartão externo, sem precisar abrir conta local. Depois, pode fazer pagamentos por QR code ou “toque” em lojas, restaurantes, atrações turísticas. Mesmo em cenários sem conexão à internet (como alguns parques ou metrôs), o pagamento offline duplo funciona.
Esse design resolve um problema antigo de pagamento para turistas estrangeiros e também envia um sinal sutil de internacionalização do RMB, especialmente na sua forma digital.
Alguns detalhes que precisam de esclarecimento
Se você já possui ou pretende adquirir uma carteira de RMB digital, esses detalhes são importantes:
Seu tipo de carteira: verifique no app se é Classe I, II, III ou IV. A força da autenticação varia, e os direitos e obrigações também.
Se ela paga juros e qual a taxa: diferentes bancos e tipos de carteira podem ter políticas distintas. As taxas de juros de depósitos à vista também variam, não suponha que sejam fixas.
Se ela é coberta pelo seguro de depósitos: se sua carteira for tratada como depósito pelo banco, até 50 mil yuan estão protegidos pelo seguro; valores acima dependem da garantia do banco central. Se ela continuar sendo gerida como dinheiro digital, a segurança vem do status de moeda legal.
Custos e limites: transferências interbancárias, saques, transferências entre carteiras, taxas cobradas variam. Leia atentamente os contratos de serviço, não adivinhe.
Privacidade e limites de conformidade: transações diárias pequenas priorizam privacidade, mas transações grandes ou frequentes entram em processos de combate à lavagem de dinheiro. Essa é uma parte do desenho do sistema, não há motivo para exagerar.
A lógica subjacente não mudou
Por fim, é importante esclarecer: a mudança de pagamento de juros não significa uma mudança radical na posição do RMB digital.
Ele continua sendo uma moeda digital de classificação M0, emitida pelo banco central, com sistema de operação de duas camadas. A alteração ocorre apenas em carteiras específicas (principalmente as de autenticação forte), permitindo que os bancos adotem uma gestão de “depósito” de forma diferenciada, uma operação diferenciada, não uma mudança total.
Essa abordagem de “camadas coexistentes” tem efeitos práticos:
Para o usuário, a experiência da conta se aproxima mais de uma conta bancária tradicional, com incentivo de juros e maior motivação para manter fundos.
Para o banco, há uma fonte de passivo de baixo custo e relativamente estável, melhorando a capacidade de aplicar ativos.
Para a estatística macroeconômica, parte do que antes era M0 passa a integrar M1, ajustando a estrutura monetária.
Porém, isso não significa que todo RMB digital se torne “depósito”; trata-se de uma relação de depósito que se forma em cenários específicos. Limites e detalhes são essenciais.
Recomendações ao público
Se você pretende aproveitar ao máximo o RMB digital, considere estas dicas práticas:
Identifique seu tipo de carteira: verifique no app qual é (Classe I, II, III ou IV). A força da autenticação influencia direitos e obrigações.
Compare as políticas de juros dos bancos: embora todos sigam a taxa de depósito à vista, detalhes de implementação podem variar.
Avalie o equilíbrio entre privacidade e conveniência: se valoriza privacidade, opte por Carteira Classe III ou IV; se busca maior rendimento e funcionalidades, as Classes I e II são melhores.
Guarde os anúncios oficiais e contratos: regulamentos e políticas bancárias estão em constante mudança; documentos oficiais são a fonte mais confiável.
Tenha uma visão realista dos rendimentos: os juros de depósitos à vista são baixos, não espere ganhos expressivos com juros do RMB digital.
Em resumo, a implementação do “projeto de pagamento de juros” marca uma evolução na operação do RMB digital, de uma abordagem uniforme para uma operação em camadas diferenciadas. Não é uma revolução, mas uma evolução. Sob a premissa de “segurança, confiabilidade e estabilidade”, o RMB digital busca explorar como se integra melhor ao cotidiano, apoiar pagamentos transfronteiriços, otimizar o sistema bancário, ao mesmo tempo em que mantém a estabilidade financeira e o controle de riscos. Compreender esse delicado equilíbrio é mais importante do que simplesmente buscar juros.