No outono de 2024, uma cena chamou a atenção na Conferência de Tecnologia da Casa Branca. Enquanto grandes figuras do Vale do Silício se reuniam, Pete Thiel não estava presente. No entanto, ao observar cuidadosamente as pessoas que estavam na sala, fica claro o quanto sua influência está disseminada. Os CEOs das empresas presentes são, em sua maioria, ex-alunos do programa de educação de Pete Thiel, gestores de fundos de investimento que ele ajudou a desenvolver, e fazem parte de sua rede ideológica.
Quem é Pete Thiel? Aparentemente, um cofundador do PayPal e investidor que fundou o renomado fundo de venture capital Founders Fund. Mas sua essência vai além disso. Ele é quem conecta o espírito empreendedor do Vale do Silício com uma ideologia conservadora, transformando empresas de tecnologia em ferramentas de poder político. Como resultado, a política e economia dos EUA estão passando por uma transformação histórica.
Estratégia integrada de investimento em tecnologia e ideologia política
Para entender a estratégia de Pete Thiel, é preciso voltar à sua época na Universidade de Stanford. Em 1987, ele fundou a revista “Stanford Review”, que promovia o neoconservadorismo e o libertarianismo. À primeira vista, parecia apenas um jornal estudantil, mas essa publicação criou um centro de ideologia conservadora na universidade, na costa oeste.
A rede que surgiu daí ficou conhecida como a “Máfia PayPal”. Max Levchin, David Sacks e Elon Musk, entre outros, fortaleceram seus laços ideológicos ali. O mais importante é que esse grupo não era apenas um círculo de empreendedores, mas uma organização de camaradas que compartilhavam uma ideologia política.
A filosofia de investimento de Thiel é única. Para ele, venture capital não é apenas uma forma de obter lucro, mas uma estratégia para resistir ao declínio da civilização ocidental. Ele idealiza a governança do “rei-filósofo” das cidades-estado da Grécia antiga, buscando realizar essa visão na era moderna através da tecnologia.
Essa visão tem influências do filósofo francês René Girard e do filósofo político Leo Strauss. Strauss, em particular, trouxe a Thiel a ideia de “reerguer o Ocidente”. Ou seja, eliminar regulações e acelerar a inovação tecnológica para reviver a civilização ocidental em declínio.
De PayPal a Palantir e a era da IA: 30 anos de Thiel
A chegada do PayPal em 1999 não foi apenas um serviço de pagamento online. Para Thiel, foi um símbolo de liberdade, uma fuga às regulações governamentais. A possibilidade de enviar dinheiro por e-mail desafiava o sistema bancário tradicional. Quando o PayPal foi comprado pelo eBay por 1,5 bilhão de dólares em 2002, o patrimônio líquido de Thiel atingia cerca de 55 milhões de dólares.
Porém, o sucesso financeiro não era seu objetivo principal. A partir daí, começou sua verdadeira batalha. Em 2003, fundou a Palantir, uma empresa que parece uma análise de big data, mas na verdade tinha laços estreitos com a CIA e o Departamento de Estado dos EUA, sendo uma plataforma para exercer influência política através do controle de dados.
Em 2004, investiu 500 mil dólares no Facebook, adquirindo 10,2% de participação. Essa aposta gerou uma avaliação que ultrapassou 10 bilhões de dólares, comprovando sua habilidade de investimento. Mas o mais importante não era o lucro, e sim o fato de que Thiel já tinha influência na fase inicial do império tecnológico Meta.
Em 2005, criou o Founders Fund, que se tornou uma instituição para consolidar o domínio no setor tecnológico. O objetivo do fundo não era apenas lucrar, mas investir em tecnologias que moldariam o futuro da civilização, como IA, criptomoedas e tecnologias avançadas. Fundadores de próximas gerações, como Dylan Field (Figma) e Vitalik Buterin (Ethereum), receberam bolsas de estudo de Thiel para desenvolver suas ideias.
Hoje, o patrimônio de Thiel chega a 20,8 bilhões de dólares, colocando-o na 103ª posição mundial. Mas, mais do que os números, o que importa é a escala de sua rede político-econômica.
Uma nova estrutura de poder de Silicon Valley sobre Washington
As eleições presidenciais de 2016 marcaram uma mudança estratégica de Thiel. Apesar do apoio unânime do Vale do Silício ao Partido Democrata, ele decidiu investir em Donald Trump. Não foi apenas uma aposta política, mas uma declaração de que o poder do lado oeste, representado pelos tecnólogos, buscava substituir a elite financeira do Leste (Wall Street).
Depois, Thiel passou a focar na formação de políticos, como JD Vance, que se tornou vice-presidente na campanha de Trump em 2024 e foi eleito. Simultaneamente, David Sacks, ex-executivo do PayPal, foi nomeado ministro de criptomoedas no governo Trump.
A estratégia por trás dessas nomeações é clara: fundir o espírito empreendedor do Vale do Silício com uma nova ideologia conservadora, para transformar a estrutura de poder tradicional de Washington. Mesmo após a derrota de Trump em 2020, Thiel manteve seus investimentos e, em 2022, saiu estrategicamente do conselho do Meta, acelerando a transição para uma nova estrutura de poder centrada na tecnologia.
Criptomoedas e IA estão no centro dessa nova estrutura de poder. Thiel busca eliminar os tradicionais elites financeiras de Wall Street e construir um sistema financeiro inovador, liderado pela tecnologia. Essa estratégia de longo prazo está se concretizando.
O futuro da civilização ocidental segundo Thiel
O objetivo final de Thiel não é maximizar seus lucros, mas resistir ao que ele vê como o declínio da civilização ocidental. Sua base filosófica combina a admiração pela Grécia antiga com uma filosofia de aceleração (e/acc), que busca acelerar o desenvolvimento tecnológico ao ponto de tornar obsoleta a civilização ocidental.
A ideia é acelerar o progresso tecnológico até que a velocidade seja tão grande que a governança ideal, como a do “rei-filósofo” grego, possa ser realizada. IA, criptomoedas, colonização de Marte, tecnologias de extensão da vida — tudo isso é visto como meios de salvar a civilização ocidental.
Ao contrastar Thiel com George Soros, fica claro o panorama político-econômico atual dos EUA. Soros apoia o Partido Democrata e promove o liberalismo e uma sociedade aberta, sendo uma “mão invisível liberal”. Thiel, por outro lado, promove uma ideologia conservadora através de investimentos e tecnologia, sendo uma “mão oculta conservadora”. Apesar de objetivos opostos, ambos exercem grande influência.
De 2024 a 2025, os EUA vivem uma transformação histórica: o poder em Washington está se deslocando do Wall Street para as empresas de tecnologia do Vale do Silício, e a ideologia está mudando do liberalismo para o novo conservadorismo. Essa mudança é impulsionada por uma estratégia de 30 anos, liderada por um único pensador: Pete Thiel.
Ele não apenas mudou o cenário do Vale do Silício, mas também a direção da política e economia dos EUA e do mundo ocidental. Agora, por trás do “revolução tecnológica” proclamada por Elon Musk, há a influência silenciosa de Pete Thiel.
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Peter Thiel a desencadear uma grande mudança na política dos EUA a partir do Vale do Silício
No outono de 2024, uma cena chamou a atenção na Conferência de Tecnologia da Casa Branca. Enquanto grandes figuras do Vale do Silício se reuniam, Pete Thiel não estava presente. No entanto, ao observar cuidadosamente as pessoas que estavam na sala, fica claro o quanto sua influência está disseminada. Os CEOs das empresas presentes são, em sua maioria, ex-alunos do programa de educação de Pete Thiel, gestores de fundos de investimento que ele ajudou a desenvolver, e fazem parte de sua rede ideológica.
Quem é Pete Thiel? Aparentemente, um cofundador do PayPal e investidor que fundou o renomado fundo de venture capital Founders Fund. Mas sua essência vai além disso. Ele é quem conecta o espírito empreendedor do Vale do Silício com uma ideologia conservadora, transformando empresas de tecnologia em ferramentas de poder político. Como resultado, a política e economia dos EUA estão passando por uma transformação histórica.
Estratégia integrada de investimento em tecnologia e ideologia política
Para entender a estratégia de Pete Thiel, é preciso voltar à sua época na Universidade de Stanford. Em 1987, ele fundou a revista “Stanford Review”, que promovia o neoconservadorismo e o libertarianismo. À primeira vista, parecia apenas um jornal estudantil, mas essa publicação criou um centro de ideologia conservadora na universidade, na costa oeste.
A rede que surgiu daí ficou conhecida como a “Máfia PayPal”. Max Levchin, David Sacks e Elon Musk, entre outros, fortaleceram seus laços ideológicos ali. O mais importante é que esse grupo não era apenas um círculo de empreendedores, mas uma organização de camaradas que compartilhavam uma ideologia política.
A filosofia de investimento de Thiel é única. Para ele, venture capital não é apenas uma forma de obter lucro, mas uma estratégia para resistir ao declínio da civilização ocidental. Ele idealiza a governança do “rei-filósofo” das cidades-estado da Grécia antiga, buscando realizar essa visão na era moderna através da tecnologia.
Essa visão tem influências do filósofo francês René Girard e do filósofo político Leo Strauss. Strauss, em particular, trouxe a Thiel a ideia de “reerguer o Ocidente”. Ou seja, eliminar regulações e acelerar a inovação tecnológica para reviver a civilização ocidental em declínio.
De PayPal a Palantir e a era da IA: 30 anos de Thiel
A chegada do PayPal em 1999 não foi apenas um serviço de pagamento online. Para Thiel, foi um símbolo de liberdade, uma fuga às regulações governamentais. A possibilidade de enviar dinheiro por e-mail desafiava o sistema bancário tradicional. Quando o PayPal foi comprado pelo eBay por 1,5 bilhão de dólares em 2002, o patrimônio líquido de Thiel atingia cerca de 55 milhões de dólares.
Porém, o sucesso financeiro não era seu objetivo principal. A partir daí, começou sua verdadeira batalha. Em 2003, fundou a Palantir, uma empresa que parece uma análise de big data, mas na verdade tinha laços estreitos com a CIA e o Departamento de Estado dos EUA, sendo uma plataforma para exercer influência política através do controle de dados.
Em 2004, investiu 500 mil dólares no Facebook, adquirindo 10,2% de participação. Essa aposta gerou uma avaliação que ultrapassou 10 bilhões de dólares, comprovando sua habilidade de investimento. Mas o mais importante não era o lucro, e sim o fato de que Thiel já tinha influência na fase inicial do império tecnológico Meta.
Em 2005, criou o Founders Fund, que se tornou uma instituição para consolidar o domínio no setor tecnológico. O objetivo do fundo não era apenas lucrar, mas investir em tecnologias que moldariam o futuro da civilização, como IA, criptomoedas e tecnologias avançadas. Fundadores de próximas gerações, como Dylan Field (Figma) e Vitalik Buterin (Ethereum), receberam bolsas de estudo de Thiel para desenvolver suas ideias.
Hoje, o patrimônio de Thiel chega a 20,8 bilhões de dólares, colocando-o na 103ª posição mundial. Mas, mais do que os números, o que importa é a escala de sua rede político-econômica.
Uma nova estrutura de poder de Silicon Valley sobre Washington
As eleições presidenciais de 2016 marcaram uma mudança estratégica de Thiel. Apesar do apoio unânime do Vale do Silício ao Partido Democrata, ele decidiu investir em Donald Trump. Não foi apenas uma aposta política, mas uma declaração de que o poder do lado oeste, representado pelos tecnólogos, buscava substituir a elite financeira do Leste (Wall Street).
Depois, Thiel passou a focar na formação de políticos, como JD Vance, que se tornou vice-presidente na campanha de Trump em 2024 e foi eleito. Simultaneamente, David Sacks, ex-executivo do PayPal, foi nomeado ministro de criptomoedas no governo Trump.
A estratégia por trás dessas nomeações é clara: fundir o espírito empreendedor do Vale do Silício com uma nova ideologia conservadora, para transformar a estrutura de poder tradicional de Washington. Mesmo após a derrota de Trump em 2020, Thiel manteve seus investimentos e, em 2022, saiu estrategicamente do conselho do Meta, acelerando a transição para uma nova estrutura de poder centrada na tecnologia.
Criptomoedas e IA estão no centro dessa nova estrutura de poder. Thiel busca eliminar os tradicionais elites financeiras de Wall Street e construir um sistema financeiro inovador, liderado pela tecnologia. Essa estratégia de longo prazo está se concretizando.
O futuro da civilização ocidental segundo Thiel
O objetivo final de Thiel não é maximizar seus lucros, mas resistir ao que ele vê como o declínio da civilização ocidental. Sua base filosófica combina a admiração pela Grécia antiga com uma filosofia de aceleração (e/acc), que busca acelerar o desenvolvimento tecnológico ao ponto de tornar obsoleta a civilização ocidental.
A ideia é acelerar o progresso tecnológico até que a velocidade seja tão grande que a governança ideal, como a do “rei-filósofo” grego, possa ser realizada. IA, criptomoedas, colonização de Marte, tecnologias de extensão da vida — tudo isso é visto como meios de salvar a civilização ocidental.
Ao contrastar Thiel com George Soros, fica claro o panorama político-econômico atual dos EUA. Soros apoia o Partido Democrata e promove o liberalismo e uma sociedade aberta, sendo uma “mão invisível liberal”. Thiel, por outro lado, promove uma ideologia conservadora através de investimentos e tecnologia, sendo uma “mão oculta conservadora”. Apesar de objetivos opostos, ambos exercem grande influência.
De 2024 a 2025, os EUA vivem uma transformação histórica: o poder em Washington está se deslocando do Wall Street para as empresas de tecnologia do Vale do Silício, e a ideologia está mudando do liberalismo para o novo conservadorismo. Essa mudança é impulsionada por uma estratégia de 30 anos, liderada por um único pensador: Pete Thiel.
Ele não apenas mudou o cenário do Vale do Silício, mas também a direção da política e economia dos EUA e do mundo ocidental. Agora, por trás do “revolução tecnológica” proclamada por Elon Musk, há a influência silenciosa de Pete Thiel.