Anónimo



Sou enfermeira escolar. Temos uma regra: os alunos sem dinheiro para o almoço recebem apenas uma sanduíche fria de queijo. Nada mais.

Numa quarta-feira chegou um rapaz do 6.º ano dizendo que lhe doía o estômago. Levo vinte anos nisto. Sei distinguir entre dor real… e fome.

—Quando foi a última vez que comeste?

Baixou o olhar.

—Ontem, no almoço.

Dei-lhe uma nota e mandei-o para a cafetaria. Pedi que lhe servissem um prato completo e quente: pasta, salada, leite… tudo.

A senhora da cafataria leu a nota, olhou para mim… e entregou-lhe o tabuleiro sem dizer nada.

Comeu como se levasse dias sem provar bocado. Provavelmente era assim.

Depois voltou ao meu escritório.

—Estou em problemas?

—Porque estarias?

—Por comer.

—A comida é para isso.

Desde então comecei a guardar barrinhas, bolachas e sumos numa gaveta. Para essas "dores de cabeça" que na verdade são fome. Para essas "dores de estômago" que na verdade são vazio.

Sei que não deveria. Vai contra as regras. Mas não me importa.

Uma vez comentei com a diretora. Olhou para mim em silêncio alguns segundos…

Depois abriu a sua gaveta.

Bolachas. Purés. Snacks.

—Que gaveta? —perguntou.

Nunca mais voltámos a falar do assunto.

Esse rapaz agora está no ensino secundário. Veio ver-me na primavera passada.

—Só queria dizer-te que estou bem… e que me lembrei de ti. Sempre me lembrarei.

Agora faz voluntariado num banco alimentar cada fim de semana desde os 13.

As melhores barrinhas que já comprei na vida.
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