Acabei de ouvir a opinião recente de Tom Lee sobre para onde os mercados estão a caminho, e vale a pena prestar atenção. O estratega da Fundstrat não recua do seu objetivo para o S&P 500 no final do ano de 7700, apesar de toda a confusão que temos visto ultimamente. O que é interessante é como ele enquadra isso — não como um otimismo agressivo, mas como uma leitura conservadora baseada numa modesta expansão do múltiplo de lucros.



Aqui é onde fica mais nuance. Tom Lee reconhece as obstruções de curto prazo óbvias e a incerteza política, mas faz um argumento histórico: conflitos importantes muitas vezes acabam por beneficiar os mercados a médio e longo prazo, uma vez que o choque inicial passa. O padrão que ele aponta é real — os mercados normalmente começam a precificar oportunidades antes de o narrativa de crise desaparecer completamente.

Mas o que me chamou a atenção na sua análise foi a sua perspetiva sobre o que já aconteceu. Um mercado em baixa já percorreu o seu ciclo em certos setores. As ações de energia foram esmagadas durante três anos consecutivos, os setores financeiros sofreram bastante, e até os nomes de tecnologia de grande capitalização — os MAG-7 — estão numa fase de ciclo de baixa. Estes setores representam cerca de 70% do índice. Isso não é otimismo, é capitulação.

Tom Lee também destaca que a forte subida do ouro anteriormente aconteceu antes de a escalada do conflito, o que revela algo importante: os investidores já estavam a reposicionar-se face ao risco geopolítico. As movimentações de risco-off já tinham ocorrido. Portanto, quando se fala em "comodidade do mercado", o argumento de Lee é que o esforço pesado na redução de risco já foi feito.

A implicação? Os mercados podem estar mais próximos de estabilizar-se do que os títulos sugerem. Quer concorde ou não com o objetivo de 7700 de Tom Lee, a sua estrutura sobre como as crises normalmente se resolvem e onde o capital já se moveu vale a pena considerar.
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