Há uma história negligenciada no meio do maior escândalo do mundo das criptomoedas: os 500 milhões de dólares que Sam Bankman-Fried investiu numa empresa de inteligência artificial através da Alameda Research, que uma vez controlava. Agora, esse investimento poderia valer 30 mil milhões de dólares. A história começa em outro lugar.



Por volta de 2010, havia um grupo de pessoas em São Francisco. Viviam nas mesmas casas, partilhavam a mesma filosofia: Efetiva Bondade, ou seja, EA. A ideia fundamental era simples—cada dólar deve ir na direção que gere a maior bondade matemática possível. Nesse círculo, circulavam nomes como Dario Amodei, Holden Karnofsky, Paul Christiano. Todos faziam parte da mesma rede social. SBF também estava ligado a essa rede, mas adotou uma versão mais radical: lucra e doa. Saiu de Wall Street para o mundo cripto e afirmou que seu objetivo era o altruísmo.

A missão da Anthropics—desenvolver inteligência artificial segura—era quase a solução padrão do EA. Em maio de 2021, Jaan Tallinn abriu a Série A com 124 milhões de dólares. Em abril de 2022, SBF entrou em cena. Escreveu um cheque de 500 milhões de dólares na rodada de financiamento Série B. Representava 86% de toda a rodada de uma só vez. Caroline Ellison, CEO da Alameda Research, e Nishad Singh, diretor de engenharia da FTX, também participaram.

Porém, Dario Amodei foi muito cauteloso. Em uma entrevista posterior, disse que viu "sinais vermelhos suficientes". Pegou o dinheiro, mas deu ações sem direito a voto a SBF, excluindo-o do conselho de administração. Havia uma contradição estranha: se os sinais de perigo na estrutura de gestão eram tantos a ponto de exigir isolamento, por que ainda assim o dinheiro foi aceito? A resposta está na lógica do mundo EA. A "limpeza" do capital nunca é prioridade, apenas a "eficácia". Não importa o que aconteça no final, mas o quão bem se pode fazer.

Em novembro de 2022, tudo desmoronou. O CoinDesk revelou o balanço da Alameda, e a FTX colapsou em nove dias. SBF foi preso, julgado, condenado a 25 anos de prisão. Aquele 500 milhões de dólares—os depósitos dos clientes da FTX—foram confiscados. As ações da Anthropic foram congeladas.

Em março de 2024, começou a venda de liquidação. Mubadala investiu 500 milhões de dólares—exatamente o mesmo valor que SBF tinha investido anos antes. O segundo maior comprador foi a Jane Street, antiga empregadora de SBF. No total, recuperaram 1,34 mil milhões de dólares. Esse dinheiro foi pago aos credores da FTX, e os usuários prejudicados recuperaram parcialmente seus investimentos.

Em fevereiro de 2026, a Anthropic completou uma rodada de financiamento de 30 mil milhões de dólares na rodada G. A avaliação atingiu 380 mil milhões de dólares. Sem considerar o desdobramento, aquela participação de 8% poderia teoricamente valer 30 mil milhões de dólares. Mas a equipe de liquidez vendeu, pois sua missão era pagar dívidas. A diferença é notável—1,34 mil milhões de dólares contra potencial de 30 mil milhões.

Na prisão, SBF agora ficará até 2049, saindo aos 57 anos. Nesse período, a empresa de inteligência artificial com dinheiro sujo que ele investiu chamou a atenção do Pentágono, e seu fundador foi frequente na Times e no Congresso. Se tudo fosse legal, esse investimento de 500 milhões de dólares poderia ter feito de SBF um dos investidores de risco mais bem-sucedidos.

A verdade é: Dario e SBF cresceram na mesma terra, participaram das mesmas festas, adotaram a mesma filosofia. Mas um chegou ao império de IA avaliado em 380 mil milhões de dólares, enquanto o outro foi para a prisão federal. A ligação entre eles—o cheque de 500 milhões de dólares—continua sendo a página mais estranha da história da Anthropic. Essa história ainda é discutida no mundo cripto.
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