Há algo fascinante no que acontece quando alguém perde tudo e decide obsessivamente procurar padrões em vez de desistir. É exatamente isso que aconteceu com Samuel Benner, um fazendeiro de Ohio que assistiu ao colapso do seu mundo durante uma crise económica na década de 1870. Em vez de aceitar a derrota, pegou na caneta e no papel e começou a procurar algo que a maioria das pessoas nunca pensa em procurar—ritmos ocultos no próprio mercado. Ele analisava preços de porcos, dados de cereais, custos de ferro, tudo o que conseguia encontrar. Parece louco, certo? Mas aqui é onde fica interessante.



Benner começou a notar algo que acabaria por ficar conhecido como o gráfico do ciclo de Benner. Ele via o mercado como um padrão quase musical, movendo-se entre picos onde devia vender, fundos onde devia comprar, e períodos estáveis onde apenas mantinha firme. O ritmo que descobriu era surpreendentemente consistente: ciclos de boom apareciam aproximadamente a cada 8 a 9 anos, grandes quebras aconteciam a cada 16 a 18 anos, e períodos mais calmos preenchiam as lacunas entre eles. A maioria das pessoas pensava que os mercados eram apenas caos, mas Benner estava convencido de que se moviam como uma dança previsível, se soubesse como ler os passos.

Agora, avançando para hoje, e aqui é que fica louco—as pessoas realmente testaram as ideias de Benner contra os mercados modernos, especialmente o S&P 500. E funciona mais ou menos. O gráfico do ciclo de Benner encaixa-se surpreendentemente bem com alguns dos maiores eventos financeiros que vimos: a Grande Depressão nos anos 1930, a bolha das dot-com que estourou no início dos anos 2000, e a crise financeira de 2008. Não é perfeito—os mercados são mais confusos do que qualquer modelo matemático puro—mas o padrão geral mantém-se. Os ciclos parecem alinhar-se com pontos de viragem importantes na economia.

A coisa que torna isto relevante não é que Benner fosse algum tipo de vidente. Ele não era. O que importa é que ele identificou padrões observáveis. Analistas modernos que olham para o gráfico do ciclo de Benner encontraram ritmos semelhantes embutidos nos dados reais do mercado. A sua estrutura não é infalível, mas está fundamentada em algo concreto, não apenas em palpites de sorte ou folclore.

Então, por que é que isto deve importar para si? Se está a começar a investir, o trabalho de Benner ensina duas lições sérias. Primeiro, os mercados têm ciclos. Eles crescem, entram em crise, estabilizam-se, e depois repetem. Se conseguir identificar onde está nesse ciclo—se é um pico ou um fundo—pode tomar decisões mais inteligentes sobre quando ser agressivo e quando ser defensivo. Segundo, a história ensina de verdade. O gráfico do ciclo de Benner não é uma bola de cristal, mas estudar o que aconteceu antes dá-lhe pistas reais sobre o que pode acontecer a seguir. Saber que as recessões e recuperações seguem padrões significa que pode parar de entrar em pânico e começar a pensar a longo prazo.

Samuel Benner descobriu algo nos anos 1870 que ainda importa hoje: embora ninguém possa prever cada movimento do mercado, existem padrões genuínos se procurar com atenção suficiente. O gráfico do ciclo de Benner mostra-nos que o caos do mercado não é totalmente aleatório—é mais parecido com um ritmo que se repete. Não ficará rico da noite para o dia ao entender isto, mas pode tornar-se melhor em não cometer os erros que todos os outros cometem quando o pânico chega. E isso vale alguma coisa.
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